Orçamento volta a dividir os EUA

Republicanos impõem condições para aumentar o teto da dívida americana; entre elas, adiar por um ano a implantação do 'Obamacare'

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2013 | 02h12

Deputados republicanos recusaram-se ontem a ceder às demandas do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por medidas diretas que mantenham o governo operante além de 30 de setembro e aumentem a capacidade de endividamento para evitar um histórico calote.

Eles disseram que vão buscar o adiamento de um ano na implementação completa da nova lei nacional de saúde pública conhecida como "Obamacare" em troca da elevação do teto da dívida dos EUA em nível suficiente para permitir que o Tesouro assuma dívidas até o fim de 2014.

Mesmo após alguns republicanos seniores preverem que não haverá paralisação do governo em 1.º de outubro ou calote no próximo mês, o presidente da Câmara, John Boehner, alertou que sua casa não deve aceitar o projeto de gastos públicos que o Senado pode aprovar nos próximos dias, que simplesmente estende o atual financiamento. "Não vejo isso acontecendo", disse Boehner a jornalistas em coletiva após reunião com sua equipe.

Deputados republicanos aprovaram projeto de lei emergencial de gastos públicos na semana passada para retirar recursos do Obamacare. Mas com democratas resistindo a essa tática, começaram a analisar outros planos de emendas à proposta de gastos.

O Senado agendou para hoje a votação de um projeto de lei emergencial de gastos públicos, encurtando o debate sobre o tema, na tentativa de chegar a um acordo com a Câmara dos Deputados antes do prazo de segunda-feira à noite, quando todos os recursos do governo serão exauridos. O líder democrata no Senado, Harry Reid, já previa aprovar o projeto de financiamento de seis semanas no fim de semana.

Mais cedo, os senadores republicanos Ted Cruz e Mike Lee bloquearam esforços para aprovar a medida ontem.

O deputado republicano Tom Cole disse que há discussões na Câmara sobre a inclusão de uma medida, que ele não especificou, ao projeto de financiamento que tem apoio bipartidário no Senado. A proposta poderia ser a revogação de imposto sobre aparelhos médicos que coletaria US$ 30 bilhões em 10 anos e ajudaria a pagar parte dos custos do Obamacare.

Assessores de senadores democratas têm insistido, no entanto, que uma medida como essa, embora desfrute de amplo apoio bipartidário, não deveria ser atrelada ao projeto emergencial de gastos públicos, e alguns senadores democratas e republicanos já rejeitaram a ideia.

Deputados republicanos também desafiam Obama sobre o aumento do teto da dívida que o Departamento do Tesouro diz ser urgentemente necessário até 17 de outubro. Líderes republicanos na Câmara disseram que, além de buscar adiar o Obamacare, vão atrelar alguns cortes de gastos e outras iniciativas ao projeto de aumento do teto da dívida, o que Obama disse que não vai tolerar.

Obama quer um aumento do limite de endividamento incondicional.

Ameaça. Agora, afirmam os republicanos, eles usarão a ameaça de uma devastadora moratória da dívida para forçar a reconsideração dessas questões. A lista de prioridades republicanas também é necessária para conseguir apoio para o aumento do limite da dívida, que muitos republicanos afirmam não poder aprovar em hipótese alguma. "O presidente diz: 'Não vou negociar'", disse Boehner. "Bom, sinto muito, mas a coisa não funciona dessa maneira."

Considerando a posição do presidente e a resistência da bancada democrata no Senado à toda ameaça de adiamento da lei da saúde, a proposta da Câmara não tem a menor chance de sucesso no Senado.

Economistas de todas as tendências políticas alertaram que, se o teto da dívida não aumentar até o prazo final estabelecido pelo Tesouro, 17 de outubro, será uma catástrofe. A confiança da economia mundial na inviolável segurança dos títulos da dívida do Tesouro ficará abalada por muitos anos, os juros poderão disparar e os preços das ações no mundo muito provavelmente despencarão.

Mas, para os republicanos da Câmara, esses temores constituem exatamente a alavanca da qual eles precisam. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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