Orgânicos: mais saudáveis e mais caros

O segmento de alimentos orgânicos não pára de crescer. Para se ter uma idéia, em dezembro de 1996, a Associação de Agricultura Orgânica (AAO) contava com 26 produtores credenciados, hoje são 300. Até o final deste ano, a entidade estima ter 400 sócios. De acordo com os dados da AAO, o volume vendido também é ascendente. Em 99, o setor faturou US$ 150 milhões e, este ano, o valor deve subir para US$ 200 milhões.Deste total, US$ 70 milhões vem das exportações. "Na Europa a procura por esse tipo de alimento é muito maior. O brasileiro está começando a descobrir a qualidade do orgânico", diz o produtor Geraldo Magela.O agrônomo e diretor da AAO, Ricardo Ceveira, concorda: "É verdade. O Brasil ainda tem muito para crescer. O mercado registra altas anuais entre 30% e 50% e o produto sem agrotóxico só representa 2% da produção agrícola do País".Agora, o orgânico começa a disputar espaço nas prateleiras de supermercado. Dados da Fundação Getúlio Vargas mostram crescimento de 24% em 99 e estimativa de 30% este ano. Luiz Carlos Trento, administrador da Horta e Arte, empresa que reúne 110 produtores, conta que atendia um supermercado há cinco anos e, atualmente, são 75 pontos de venda.Qualidade dos produtosTrento atribui o sucesso e otimismo à qualidade, dos produtos e a mudança de cultura do consumidor. "Os brasileiros estão começando a se preocupar com saúde e ecologia." Os produtos orgânicos são considerados mais saudáveis, têm até 50% mais vitaminas e sais minerais que seus similares convencionais e 29% menos mercúrio.Tudo isso, graças ao solo. A grande diferença entre a agricultura orgânica e a convencional está no tratamento da terra. Dois anos antes de iniciar o plantio ela começa a ser tratada, usa-se apenas adubos orgânicos e nunca fertilizantes ou agrotóxicos. "O objetivo é recuperar a saúde e o equilíbrio natural da terra. Quando chegamos nas condições ideais, não precisamos de nenhum tipo de veneno, pragas e fungos destroem-se, uns aos outros, naturalmente", diz Magela.Diferenças de preçoSegundo ele, os adeptos do alimento orgânico compartilham a mesma opinião sobre saúde. Eles não querem só comida saudável, também procuram por uma forma de produção que não agrida o meio-ambiente. Mas essa produção limpa tem preço alto, em torno de 80% mais do que os similares. A mão-de-obra é um dos pontos que aumenta os preços dos produtos orgânicos. Para cultivar quatro hectares, Trento precisa de dez trabalhadores, enquanto, na forma convencional, bastariam três.A lógica é simples: produção mais cara, produtos mais caros no supermercado. Quem quiser comer tomate orgânico vai pagar até R$ 3, pelo quilo, e abrir mão do convencional por R$ 1. Os orgânicos podem ser encontrados nos supermercados, lojas de produtos naturais ou nas feiras do Parque da Água Branca realizadas às terças e quintas.

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