Organizador do FEM diz que falta clareza ao FSM

O que estava programado para ser uma grande conferência via satélite entre os organizadores do Fórum Econômico Mundial (FEM), em Nova York, e do Fórum Social Mundial (FSM), em Porto Alegre, acabou transformando-se em uma curta conversa, repleta de alfinetadas de parte a parte e transmitida exclusivamente para um canal estatal suíço de televisão. O rápido diálogo entre o brasileiro Cândido Grybowsky e o diretor-geral do fórum de Nova York, André Schneider, não foi suficiente, obviamente, para reduzir as diferenças que separam os dois eventos."O que será que eles têm para falar com os capitalistas de Nova York?", questionava a representante da CUT do Pará, Maria Madalena Ferreira, que não entendia, assim como a maioria das pessoas que circulava pelo local onde foi realizado o bate-papo, o motivo de o representante brasileiro estar falando em francês com o interlocutor dos Estados Unidos. A razão era simples: a transmissão era exclusiva e patrocinada pela tevê estatal Swisse Romand. "Depois vocês irão saber o que eles conversaram", tentava explicar o representante da TV suíça, Jean-Jacques Fontaine, para uma pequena platéia onde a maioria não falava francês."Pedimos um debate de uma hora e meia com os representantes do Fórum Econômico Mundial, eles nos cozinharam, cozinharam e o que acabou sobrando foi uma conversa de oito minutos, dividida em dois blocos de quatro minutos, numa TV suíça de cerca de um milhão de telespectadores", lamentou Grybowsky. Segundo ele, Schneider não respondeu seus questionamentos, apenas acusou o evento de Porto Alegre de não ter idéias claras. "Além disso, não conheço a cara deste senhor", completou, referindo-se ao fato de falar com Schneider através de um ponto de áudio colocado no ouvido."Ele nos acusa de não termos idéias claras, mas achei uma vegonha o fato de ele dizer que estão ajudando os países do terceiro mundo, enviando cerca de R$ 50 milhões em medicamentos", queixou-se o representante brasileiro. Para Grybowsky, os representantes do Fórum Econômico Mundial alegam querer ajudar os países pobres com esse montante, mas não sabem que esse valor é o que o Brasil gasta por mês com o tratamento da aids. "Isso é uma ofensa", reiterou.Outro ponto discordante entre os dois foi a questão da representatividade. O diretor-geral do evento de Nova York tentou dizer que o Fórum Econômico Mundial contava com 1,8 mil representantes de países do terceiro mundo. E recebeu a seguinte resposta: "Aqui em Porto Alegre temos cerca de 60 mil." Grybowsky disse que Schneider tem até o direito de cobrar clareza de idéias do fórum de Porto Alegre. Porém, "não pode fugir dos debates por medo das críticas".Mas apesar de considerar a conferência "pífia", o representante brasileiro disse que o evento teve um lado positivo, que foi a concordância do diretor-geral do fórum de Nova York com essa rápida conversa. "Isso mostra a nossa legitimidade e mostra também que se, no ano passado, criamos o anti-Davos, agora são eles que têm de criar o anti-Porto Alegre".

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