Previc mapeia entidades de previdência complementar

Segundo novo xerife dos fundos de pensão, trabalho da Previc contribui para algumas das investigações da PF

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2016 | 03h00

BRASÍLIA - Das 317 entidades de previdência complementar, a Previc mapeou as que estão mais propensas a apresentar problemas e acompanha com lupa cada um dos investimentos dos planos que elas administram. O órgão de fiscalização diz que é possível identificar um mesmo “modus operandi” em investimentos suspeitos.

Auditores fiscais da Previc atuam em parceria com o Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para buscar esse caminho perigoso. Quando há indício de crime ou gestão temerária envolvem o Ministério Público Federal. Se comprometer o sistema financeiro, a Polícia Federal é chamada.

O novo diretor-superintendente José Roberto Ferreira disse que o trabalho da Previc contribui para algumas das investigações da Polícia Federal. Questionado sobre por que em vários escândalos aparecem corrupção nos fundos de pensão, Ferreira afirmou que, embora a frequência seja mesmo grande, o número de entidades mencionadas é pequeno. “Não estou relativizando, temos situação em número muito maior do que gostaríamos”, ponderou. “Essas entidades, apesar de terem algum aperfeiçoamento de governança, ainda têm um caminho longo para percorrer.”

Rombo. Sobre o déficit bilionário do sistema – que chegou ao recorde de R$ 60,9 bilhões em setembro de 2015, ante R$ 28,7 bilhões do mesmo mês de 2014 – o chefe da Previc disse que é preocupante, mas está atrelado ao momento atual da economia brasileira. “Apesar da dimensão que é muito grande, não vemos uma luz amarela ou vermelha”, afirmou. Os investimentos no ano passado renderam menos do que o necessário como reflexo da recessão econômica e do comportamento da Bolsa. A inflação alta também prejudicou os fundos a baterem as metas atuariais.

Um plano de aposentadoria registra déficit quando os ativos não são suficientes para pagar os benefícios previstos até o último participante vivo do plano. Agora a regulação não exige o equacionamento de todo o déficit. A nova norma permite que planos com população mais jovem tenham mais tempo para administrar os desequilíbrios.

O Estado mostrou que a mudança nas regras diminuiu em R$ 7 bilhões o valor do rombo que teria de ser coberto por empresas, funcionários e aposentados. As estatais - patrocinadoras dos maiores fundos do País - foram as principais beneficiárias. Cerca de 80% do déficit está nas mãos de dez planos, sendo nove deles patrocinados por empresas públicas. 

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