Os 20 anos do Hubble

Em menos de uma década após seu lançamento, o telescópio espacial Hubble já havia revolucionado nosso conhecimento do Universo. Do tamanho de um micro-ônibus, ele está girando em torno da Terra a 575 quilômetros de altitude, há exatamente 20 anos - pois entrou em órbita no dia 25 de abril de 1990. Seu nome foi dado em homenagem ao astrônomo norte-americano Edwin Hubble, que descobriu outras galáxias além da Via Láctea em 1924. A cada 97 minutos, ele completa uma volta em torno da Terra. Fruto das mais avançadas tecnologias digitais, ele permitiu até hoje a observação de mais de 30 mil corpos celestes e forneceu mais de 500 mil imagens e fotos digitais do Universo.

Ethevaldo Siqueira, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

De 1990 a 2009, a Nasa enviou cinco missões tripuladas dos ônibus espaciais ao Hubble, para executar as tarefas de manutenção, atualização e reparos, o que permitiu o rejuvenescimento tecnológico do telescópio, com a substituição de suas lentes, a instalação de câmeras fotográficas, computador de bordo ultra-avançado e sistemas de armazenamento eletrônico.

O telescópio só deverá se aposentar em 2013. Até lá, o Hubble continuará enviando diariamente algumas centenas de fotos de alta resolução do Sistema Solar ou de galáxias mais distantes do espaço cósmico, captando imagens insuperáveis com as lentes de sua super câmera digital.

Balanço. Ao longo dos anos 90, o Hubble tornou-se a grande porta de acesso da ciência ao Universo, seja registrando o nascimento e a morte de estrelas, seja proporcionando uma visão profunda de um conjunto de pelo menos 1,5 mil galáxias, em vários estágios de evolução. Apenas no primeiro ano de suas atividades, o telescópio forneceu mais informações sobre o Sistema Solar do que tudo que se sabia até o dia de seu lançamento, em 1990. E daqui para frente a contribuição do Hubble será ainda maior.

Segundo comprovou o telescópio espacial, todas as galáxias têm um buraco negro no centro. Decorre daí uma questão semelhante ao paradoxo do ovo e da galinha, sintetizado na pergunta: "Quem veio primeiro: o buraco negro ou a galáxia?"

Um buraco negro devora gigantescas quantidades de matéria. A força gravitacional que gera é tão grande que nada escapa à sua atração. Até a luz que passa nas suas vizinhanças é capturada e engolida. Até há poucas décadas, a existência dos buracos negros era mera conjectura. Hoje está confirmada cientificamente.

Ao longo de seus 20 anos, o telescópio espacial Hubble foi totalmente renovado por cinco missões de atualização e reparos, por especialistas da Nasa, enviados ao espaço a bordo dos ônibus espaciais. As primeiras quatro missões foram realizadas em 1993, 1997, 1999 e 2002.

Na quarta missão de reparos e atualização, uma equipe de astronautas do ônibus espacial Columbia instalou novos painéis solares, unidades de controle de energia e uma câmera digital avançada. Os astronautas da Nasa James Newman e Michael Massimino trabalharam em pleno espaço para instalar a nova câmera destinada à exploração do universo.

Supercâmera. Conhecida pelo nome de Advanced Camera for Survey (ACS) - e projetada para fornecer novas indicações sobre a origem, evolução e o destino do universo -, essa supercâmera fotográfica custou a soma impressionante de US$ 76 milhões. Ela tem o tamanho de uma geladeira doméstica, pesa 383 quilos e utiliza três canais espectrais especializados de visão. É dez vezes mais poderosa que sua antecessora e sua maior vantagem prática é focalizar com muito maior nitidez objetos distantes do universo.

Segundo o astrônomo Holland Ford, da Universidade John Hopkins, que chefiou a equipe que construiu os novos instrumentos, com a nova câmera ACS, o Hubble detectou mais estrelas e galáxias nos seus primeiros 18 meses de funcionamento do que tudo que havia descoberto até aqui. Em sua opinião, quanto mais informações científicas acumular, melhor para os pesquisadores: "Estrelas e galáxias no arquivo de dados são para os astrônomos como dinheiro no banco" - diz o astrônomo Holland Ford, da Universidade John Hopkins, chefe da equipe que construiu os novos equipamentos.

James Webb. O telescópio espacial que vai suceder ao Hubble será um telescópio ultravioleta que deverá girar a uma distância de 1,5 milhão de quilômetros da Terra e permitirá observações astronômicas sem interferências da atmosfera. O equipamento deverá ser o sucessor do Hubble a partir de 2013.

Batizado de James Webb, o sucessor do Hubble terá como principal objetivo buscar as primeiras galáxias e objetos luminosos formados depois do Big Bang e determinar como as galáxias evoluíram de sua formação até agora.

A Agência Espacial Europeia (ESA) terá uma participação de 15% no projeto, o mesmo porcentual que tinha no Hubble. O custo do equipamento foi estimado em US$ 3,5 bilhões. O telescópio será colocado em órbita pelo foguete europeu Arianne-5 ECA, com capacidade para transportar mais de dez toneladas de carga. O James Webb terá uma lente primária de 6,5 metros de diâmetro, contra os 2,4 metros do Hubble. O nome do novo telescópio foi escolhido em homenagem a James Edwin Webb, que foi administrador da Nasa entre 1961 e 1968, e responsável pelo programa Apollo que levaria o homem à Lua em 1969.

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