Os bancos de investimentos em 2013

O ano que termina não foi particularmente brilhante para a atividade de banco de investimento. O mercado de ofertas de ações caiu cerca de 50% quando comparado a 2011; as fusões e aquisições tiveram queda de 20%. Apenas as atividades de emissões de títulos de dívida nos mercados de capitais local e internacional cresceram com certo vigor, atingindo um avanço ao redor de 25% sobre 2011.

RENATO EJNISMAN, É CO-RESPONSÁVEL PELO BRADESCO BBI, CHEFE DA ÁREA BANCO DE INVESTIMENTO, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2012 | 04h34

Vamos explorar o que aconteceu em 2012, tomando como ponto de partida o mercado de ofertas de ações. Neste ano, houve apenas três operações de abertura de capital - o menor número desde 2003. E isso com um fluxo de recursos de estrangeiros para o mercado brasileiro positivo em cerca de US$ 5 bilhões, comparado a uma saída de recursos de aproximadamente US$ 7 bilhões em 2011.

O que explica a queda no número de ofertas foi, em nossa opinião, um maior distanciamento entre a visão do emissor (empresa) e do investidor. Do ponto de vista das empresas, havia alternativas mais certeiras, como a dívida via bancos ou mercado de capitais; a utilização do próprio caixa já que, de modo geral, as empresas brasileiras estão mais capitalizadas; e outros meios como fundos de private equity. Os investidores, por sua vez, encontraram preços e condições mais atrativos em outros mercados (como Chile, Colômbia, México e Peru), o que serviu para desviar parte da atenção usualmente direcionada ao Brasil.

O mercado de ações mais modesto gerou menos recursos para aquisições, o que explicou em parte a queda neste tipo de transação. Além disso, houve também certo distanciamento da expectativa de valores entre comprador e vendedor, reduzindo o número e volume de transações.

Finalmente, se a capitalização das empresas, mencionada acima, serviu de alternativa a ofertas de ações, ela, por outro lado, ajudou a nutrir o forte apetite apresentado nos mercados de dívida local e internacional. Resumidamente, as empresas brasileiras representaram um bom risco de crédito atrelado a taxas atrativas - tanto para investidores quanto para emissores.

E, agora, o que esperar de 2013? As indicações apontam para um ano muito mais promissor. Em primeiro lugar, a queda dos juros gera uma busca por maior rendimento, fortalecendo o mercado de capitais. No mercado de títulos de dívida local, o reflexo é uma maior demanda por instrumentos mais sofisticados, com prazos mais longos e em setores menos usuais. Até pouco tempo, apenas setores regulados costumavam emitir debêntures, mas hoje já não é surpresa ver ofertas de empresas de varejo e saúde, por exemplo. No mercado de ações, a procura por performance continuará a atribuir um papel relevante para investidores locais. E os estrangeiros (principalmente americanos) devem voltar a participar com maior intensidade nas ofertas brasileiras.

No mercado de capitais de dívida internacional, o forte apetite apresentado em 2012 deve continuar com a manutenção da convergência de atratividade de taxas entre emissores e investidores. Lançamento de títulos envolvendo prazos mais longos, volumes maiores e novos emissores deverão acontecer ao longo do ano. A grande novidade de 2012, que deve se intensificar em 2013, foi a maior participação de indivíduos no mercado de capitais. Houve alta demanda para ofertas de fundos de investimento imobiliário, debêntures de infraestrutura, entre outros.

É possível que indivíduos participem também com mais avidez em ofertas de ações. Dado que, no Brasil, apenas cerca de 600 mil pessoas investem diretamente em ações, isso representaria uma mudança cultural até certo ponto natural para uma população que aumenta seu poder de poupar. Esse fenômeno, que apenas começa a ser capturado, será muito importante para alavancar o mercado e pode influir no processo de desenvolvimento do País.

Apesar de a atividade continuar pulverizada em diversos setores da economia, é justo um destaque especial ao setor de infraestrutura. Devido à sua relevância para o crescimento, haverá oportunidades em financiamento de projetos em segmentos como portos, aeroportos, rodovias, mobilidade urbana, além dos setores tradicionais de petróleo e energia elétrica. O setor de infraestrutura também deverá aparecer com maior intensidade no mercado de capitais de dívida e ações e, no médio prazo, vivenciar algum movimento de consolidação.

Com as incertezas que ainda rondam EUA e Europa, seria leviano dizer que 2013 será um ano de prosperidade garantida para o mercado de bancos de investimento no Brasil. Mas as perspectivas são positivas e devem trazer maior convergência entre investidores e emissores, compradores e vendedores. O ano que começa deve ser muito mais ativo para o mercado do que o ano que termina.

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