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Os bancos poderiam reduzir já as taxas de juro

O estoque de crédito aumentou 0,4% em fevereiro (17,3% em 12 meses). Na margem, o crescimento foi compatível com a taxa de inflação, o que parece indicar que as autoridades monetárias não estão fazendo uso irracional do crédito para dinamizar o consumo. O crédito para pessoas físicas (PFs) cresceu 0,7%, enquanto o das pessoas jurídicas (PJs) ficou estável em relação ao mês anterior.

O Estado de S.Paulo

28 de março de 2012 | 03h08

Mas, nos bancos públicos, o crédito aumentou de 21% para 21,4% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto nos bancos privados brasileiros recuou de 19,1% para 19%. Nos bancos estrangeiros, manteve-se em 8% do PIB.

A participação dos bancos públicos parece corresponder à vontade das autoridades de reduzir o custo do crédito, mas temos de levar em conta o papel do BNDES e da Caixa Econômica Federal no financiamento dos investimentos privados (BNDES) e do setor habitacional (Caixa), neste último caso com crescimento de 2,3% em fevereiro.

Como se podia prever, a redução da taxa Selic tem um efeito moderador sobre as taxas de juros praticadas pelos bancos no segmento livre, onde as taxas anuais se reduziram de 28,7% para 28,6%, para as PJs; e de 28,7% para 26,6%, para as PFs.

Todavia, o spread aumentou de 18,5 pontos porcentuais (p.p.) para 18,8 p.p., para as PJs; e de 34,9 p.p. para 35,8 p.p., no caso das PFs.

Na prática, as instituições financeiras diminuíram a rentabilidade das aplicações, mas aumentaram os spreads. Justificam dizendo que a inadimplência continua muito alta (mas não aumentou), na casa de 4,1%, para as PJs, e de 8,6%, para as PFs.

Na realidade, as taxas de juros, em comparação com a taxa Selic, continuam anormalmente elevadas, o que em parte explica que as empresas recuem diante do custo do dinheiro antes de contratar crédito. Para capital de giro, os juros são ainda de 17,9% - um custo que a margem de lucro das empresas não permite cobrir.

No caso das PFs, o cheque especial tem taxa de 182,8%, mas a taxa do crédito consignado, de 27,5%, permite recorrer a essa operação com custo médio mais acessível.

O Brasil tem um sistema bancário eficiente, mas que continua muito caro, especialmente levando em conta os serviços (propostos ou impostos). Isso se reflete na lucratividade das instituições financeiras. É de perguntar se a solidez incontestável de nosso sistema financeiro justifica esse seu custo e se não seria necessário reconhecer que os investimentos já realizados estão agora amortizados, devendo permitir queda no custo das operações do sistema.

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