Larissa Constantino
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Luiz Carlos Trabuco Cappi
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Os cem anos da Semana de 22

Assim como ocorreu nas artes, a economia brasileira também pede, outra vez, novas ideias que apontem para o futuro

Luiz Carlos Trabuco Cappi, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2022 | 04h00

A Primeira República foi um período de grandes transformações. Iluminista, a Constituição de 1891 conferiu grande autonomia aos Estados, que exerceram protagonismo na modernização dos serviços públicos. Em São Paulo, colhiam-se os frutos do Tratado de Taubaté (1906), ou seja, do sucesso do Plano de Valorização do Café.

É nesse contexto que se deu a Semana de Arte Moderna, de 13 a 18 de fevereiro de 1922. A Primeira Guerra Mundial havia acabado. O Brasil se urbanizava, o rádio começava suas transmissões, e uma nova leva de imigrantes europeus estava chegando. A receita de exportações do café do interior paulista induziu à instalação de indústrias; a cidade de São Paulo, o novo centro econômico do País, fervilhava de ideias. Com apoio do governador Washington Luís, o evento realizou-se no Theatro Municipal de São Paulo.

Marco da introdução do Brasil nos tempos modernos, a Semana promoveu debates aguerridos, nos quais grandes expressões da cultura brasileira manifestaram suas inquietudes estéticas.

Era um momento de grandes turbulências políticas e sociais. Nesse ambiente, a mola propulsora do modernismo era a polêmica. Participaram do evento os escritores Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Graça Aranha, Paulo Prado, Plínio Salgado, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet e Ronald de Carvalho, os artistas plásticos Di Cavalcanti, Vicente do Rego, Victor Becheret, Zina Anita e Anita Malfaltti e o maestro Heitor Villa-Lobos, entre outros. 

Influenciados pelas vanguardas europeias, esses intelectuais e artistas mudaram os paradigmas da poesia, da música, das artes plásticas e até mesmo da nossa arquitetura.

Seus participantes não eram os únicos a recusar os rígidos padrões acadêmicos da época e promover manifestações mais identificadas com a nossa realidade. Simbolicamente, porém, romperam a cortina que escondia a riqueza da criatividade e da experimentação, que já se expressava também nas obras de Lima Barreto, no Rio de Janeiro, a então capital federal.

Cem anos depois, o Brasil está passando por grandes transformações. Emerge uma nova economia, com o uso crescente da tecnologia e outros desafios, como o aquecimento global, o trabalho em home office e o ensino a distância. Isso impõe diferentes maneiras de ver o Brasil e o mundo, como nos ensinou a Semana de Arte Moderna.

Assim como nas artes, a economia brasileira também pede novas ideias que apontem para o futuro. 

*PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO BRADESCO. ESCREVE A CADA DUAS SEMANAS

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