Os consumidores temem a volta do desemprego

Numa recente sondagem sobre a expectativa dos consumidores - que acusou forte piora em relação ao mês de setembro -, um dos fatores mais apontados para a queda do otimismo foi o medo de uma volta do desemprego.

O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h07

É um dado muito surpreendente num período em que a taxa de desemprego é de 5,4%, menor do que no mês anterior, e quando, em alguns setores, se acredita em retomada da atividade neste final de ano.

Parece que a população economicamente ativa acusa uma redução, em razão da queda da taxa de nascimentos de alguns anos atrás, o que resulta na menor oferta de mão de obra no mercado, enquanto a manutenção do nível de emprego que se verifica tem sua origem na política de várias empresas de não cortar mão de obra a fim de preservar um contingente de operários já treinados.

O quadro que se apresenta no Brasil hoje é de quase pleno emprego - em aberto contraste com o que acontece nos países avançados - e não deveria se traduzir em medo pela volta do desemprego.

Existe, no entanto, um dado sobre o qual os consumidores parecem estar baseando suas apreensões: é o do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostrou queda, em outubro, de 55,4% na geração de empregos em relação ao mês anterior, e de 46,9% sobre igual mês de 2011.

Convém lembrar que esse levantamento é o mais completo quando se trata do emprego em todos os setores de atividade, e nele os serviços ocupam o maior peso.

O quadro todo é deveras intrigante, ainda mais se lembrarmos que esse temor pelo aumento do desemprego surge apesar do aumento de 4,6% da remuneração real média nos dez primeiros meses do ano. Isso reforça a hipótese de que os empresários evitam eliminar pessoal especializado - e este, já se sabe, é um esforço que não poderá continuar, especialmente num período em que se tem de reduzir custos de produção.

Completa este quadro de temores aparentemente infundados o fato de que a economia não está crescendo nem no setor público nem no privado. Mais cedo do que se imagina, essa falta de perspectiva de crescimento pode redundar em queda do nível do emprego, afetando uma população que já acumulou, anteriormente, uma dívida anormalmente elevada.

Urge, portanto, restaurar, entre os empresários, a percepção de um horizonte positivo de crescimento da economia, para evitar a queda da demanda, até agora sustentada em bases frágeis.

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