finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Os créditos do BNDES e o mercado de capitais

O BNDES fechou o segundo trimestre do ano com 19,7% de participação no total do crédito oferecido a empresas e famílias no País. E, segundo notícia do Estado, sua fatia no crédito passou do equivalente a 1% para 3,1% do PIB no período de uma década.

O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2013 | 02h11

É inegável a enorme importância do BNDES para o desenvolvimento da economia e das empresas brasileiras, não só agora, mas ao longo da sua história de mais de 60 anos. Criado por Getúlio Vargas no início do seu último mandato, que se encerrou com o seu suicídio, o banco teve papel de destaque na industrialização do País e na montagem da sua infraestrutura.

Mas, como todo órgão do governo, não deixou de sofrer em várias fases os efeitos de políticas desastradas, de desvios da sua finalidade, de programas mal concebidos e de imposições de cunho nitidamente demagógico. Foi salvo, nessas ocasiões, pela qualidade da sua equipe e, em alguns casos, pela coragem política de seus dirigentes em convencer ministros e até presidentes da conveniência e da vantagem de não comprometer a credibilidade do banco. E também pelo Tesouro.

Essa credibilidade, aliás, dá ao banco capacidade de captação de recursos, nacionais e internacionais, para projetos privados ou governamentais, a ponto de ombreá-lo com o Banco Mundial nessa função, e este tem mais de uma centena de países para atender.

Ultimamente, têm surgido em alguns debates propostas para que o governo limite o papel e as funções do BNDES ao âmbito da infraestrutura, deixando as necessidades de capital e financiamentos das empresas privadas a cargo do mercado de capitais. O argumento é de que, dispondo o BNDES de recursos públicos para financiamentos de longo prazo, isso acabou inibindo os bancos privados, e até públicos, como o Banco do Brasil, de desenvolverem mecanismos e instrumentos capazes de bancar tais operações. Essa não é, evidentemente, a causa de o investimento privado ter caído de 16,9% para 15,7% na Formação Bruta de Capital Fixo no Brasil, nos últimos três anos. Mas é claro que, se projetos de longo prazo, privados e confiáveis, não pudessem contar com o BNDES, os bancos privados encontrariam como atendê-los.

Pode ser essa a razão de o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ter declarado a jornalistas brasileiros anteontem, em Nova York, que é intenção do banco moderar, em 2014, a liberação de recursos para empresas privadas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.