Os cuidados do consumidor com liquidações

No embalo das compras de Natal, do 13.º salário e seduzidos pelas liquidações promovidas pelos estabelecimentos comerciais nesta época do ano, muitos consumidores acabam assumindo dívidas com as quais não poderão arcar. As promoções podem ser tentadoras, mas é preciso estar atento a algumas ciladas. "O consumidor não deve entrar num conto de fadas. Dezembro é um mês em que o salário está maior, por causa do 13.º, e ocorrem muitas promoções", alerta o assistente de Direção da Fundação Procon-SP, José Carlos Guido. Por isso, uma recomendação importante é não se deixar levar pelo impulso. "O consumidor deve analisar se o que está sendo oferecido é, de fato, útil e necessário para ele", diz. "Também é preciso verificar se a mercadoria realmente está em promoção", comenta Guido. "Para isso, o interessado deve fazer uma pesquisa em locais que oferecem o mesmo produto, ver onde o preço está melhor e quais são as condições de pagamento." O assessor do Procon sugere, ainda, que se guarde todo material relativo à promoção, como folders, encartes ou mala-direta. "É uma forma de fazer a empresa cumprir com o que foi anunciado." Outra providência que pode evitar problemas futuros é, no ato da compra, pedir que o vendedor faça uma demonstração, por exemplo, de como funciona o aparelho, principalmente eletroeletrônicos, e conferir se o manual de instruções é bem formulado. Os financiamentos devem ser evitados, até porque o preço à vista costuma ser mais atraente. Vale lembrar ainda que o valor do produto à vista deve ser o mesmo para pagamentos feitos em dinheiro, cheque ou cartão de crédito. Antes de sair às compras, o consumidor tem a alternativa de consultar o cadastro do Procon para saber se a empresa tem alguma reclamação registrada. Em São Paulo, o telefone para esse tipo de atendimento é (0--11) 3824-0446. O vice-presidente da Associação dos Direitos Financeiros do Consumidor (Proconsumer), Fernando Scalzilli, recomenda cuidados semelhantes aos sugeridos por Guido. "Em primeiro lugar, é preciso pesquisar o preço", destaca. "Os financiamentos não são indicados, já que as taxas do cheque especial e do crédito pessoal estão muito altas." Cuidado com artimanhas Uma artimanha comum dos estabelecimentos comerciais é atrair a atenção do consumidor para uma mercadoria em promoção, e acabar sugerindo a compra de outras cujo preço não apresenta desconto, "recuperando" assim o abatimento concedido na primeira mercadoria. "É muito comum a loja liquidar um tipo de produto e, quando o consumidor vai comprar, acaba levando mais duas ou três mercadorias que não estão na promoção", comenta Scalzilli. Ele destaca também que as promoções de mudança de estação, principalmente para artigos de vestuário, podem embutir mais descontos no preço do que as liquidações pós-Natal. Os cuidados devem ser os mesmos para as compras feitas em sites. "Mas, nesse caso, é bom checar o prazo de entrega e tomar cuidado com o envio de dados pessoais por Internet", lembra Scalzilli. (ver ao lado) Boa época para compras Frederico da Costa Carvalho Neto, professor de Direito das Relações de Consumo da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) acredita que esta seja uma época excelente para fazer compras. "O comerciante está com estoque e sabe que em janeiro as vendas caem muito, por isso fazem promoções de fato interessantes", avalia. Para ele, o mês é favorável para aquisição de todo tipo de mercadoria, desde automóveis até roupas e eletrodomésticos. "No entanto, é recomendável que se examine bem a mercadoria, porque normalmente são aquelas que sobraram ou foram trocadas, ainda que não necessariamente estejam com problemas", diz. Ele sugere ainda que se preste muita atenção a promoções que prometem juros zero. "Para ter certeza de que o juro realmente é zero, basta perguntar o preço à vista", afirma. "Se o produto estiver com juro zero, pode ser que não tenha sido aceito pelo mercado ou que esteja em fim de linha."

Agencia Estado,

31 Dezembro 2001 | 08h53

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