Os custos do longo ajuste da Petrobrás

Entre o que houve até o início de 2016 e o que ocorre agora, a diferença é grande

O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2017 | 03h00

O lucro líquido de R$ 316 milhões da Petrobrás no segundo trimestre de 2017, 14,6% inferior ao registrado em igual período do ano passado e 93% menor do que o resultado obtido no primeiro trimestre deste ano, reflete não apenas a volatilidade do mercado global de petróleo e os ônus da baixa demanda no mercado interno. Reflete, sobretudo, o custo do duríssimo ajuste a que está sendo submetida a maior empresa estatal brasileira, que foi vítima dos desmandos dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Será preciso mais um ano e meio de trabalho duro para que a Petrobrás volte aos eixos, previu, recentemente, o presidente da companhia, Pedro Parente.

Olhando apenas os números do trimestre passado, o diretor financeiro da Petrobrás, Ivan Monteiro, afirmou: “O que nos afeta e a qualquer empresa? O preço da commodity (petróleo) e o fato de que a gente está vivendo uma brutal recessão no País, que influencia a demanda pelos nossos produtos”. O lucro modesto para uma companhia de porte tão grande se deveu, disse ele, à redução das vendas internas e aos preços mais baixos por causa da queda das cotações da commodity no mercado global. Mas o lucro – que afetou as cotações em bolsa das ações da Petrobrás – também reflete outros custos, alguns deles vultosos.

A Petrobrás está promovendo um programa de corte de custos em áreas como pessoal, por meio do desligamento voluntário de 16,3 mil funcionários, e pagamentos a terceiros (por exemplo, pela utilização de gasoduto). Reduziu o endividamento de US$ 95 bilhões para US$ 89,3 bilhões entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano e desenvolve um programa de parcerias com vistas a levantar US$ 21 bilhões no biênio 2017/2018, desfazendo-se de ativos que não fazem parte da sua atividade principal, ou seja, do núcleo de negócios da companhia.

O ajuste em curso da Petrobrás já teve saldo, como o maior acesso a recursos globais e locais. Em vez de a empresa sofrer com o caixa baixo, como em 2015, já se espera que chegue ao final do ano com US$ 20 bilhões em caixa, o dobro dos US$ 9,4 bilhões registrados no fim de junho.

Entre o que houve até o início de 2016 e o que ocorre agora, a diferença é grande; a Petrobrás se assemelha mais a uma empresa privada, que pode olhar o mercado e ajustar os preços de derivados dia a dia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.