Os erros na gestão da Funcef recairão sobre os participantes

Terceira maior entidade de previdência fechada teve déficit atuarial acumulado desde 2012 de R$ 18 bilhões

O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2017 | 03h00

O fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal (Funcef) é a terceira maior entidade de previdência fechada do País, com R$ 59 bilhões de ativos, 100 mil participantes ativos, 183 mil dependentes e quase 40 mil já assistidos, conforme dados de setembro de 2016 da associação dos fundos (Abrapp). Teve déficit atuarial (diferença entre o patrimônio e o que terá de ser pago a todos os participantes, até o fim da vida) acumulado desde 2012 de R$ 18 bilhões, dos quais cerca de R$ 3 bilhões nos primeiros 11 meses de 2016. O ônus recairá, em partes iguais, sobre a CEF e sobre os participantes, inclusive os já assistidos. É um custo não só de gestão duvidosa, mas de práticas desaconselháveis que só recentemente passaram a ser corrigidas.

Reportagem do Estado mostrou que entre os maiores investimentos da Funcef em 2015 estavam ações da Vale, da Invepar, da Eldorado Celulose (do Grupo Odebrecht), da Norte Energia (Belo Monte), da Desenvix e da Sete Brasil, que já dera R$ 1,7 bilhão de prejuízo ao fundo. Houve boas e más aplicações. Governos petistas escolheram diretores que apoiaram investimentos de risco, como na Sete Brasil, criada para construir navios para a Petrobrás e que está em recuperação judicial com dívidas de quase R$ 20 bilhões.

Diretores e ex-diretores da Funcef tiveram a prisão decretada em 2016, por envolvimento na Operação Greenfield, da Polícia Federal, que investigou a gestão dos fundos de pensão. Gestão temerária – ou fraudulenta – já havia sido detectada em outros fundos, como o Postalis, dos Correios, com rombo estimado em R$ 465 milhões pelo Ministério Público Federal por operações realizadas entre 2006 e 2011.

O presidente da Funcef, Carlos Vieira, disse ao Estado que a missão do fundo mudou drasticamente. Em vez de estar “comprometido com o desenvolvimento do Brasil”, a Funcef vai “administrar com excelência planos de benefícios para promover segurança e qualidade de vida aos participantes”. É o que sempre deveria ter feito.

Até hoje o passado traz incertezas para participantes ativos e assistidos, que não tiveram bônus, só o ônus de fazer contribuições adicionais para cobrir rombos atuariais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.