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‘Os estrangeiros vieram para ficar’, diz especialista em setor aéreo

Especialista diz que melhor mudança no modelo foi preservar a concorrência, mas que ainda precisa de ajustes

Entrevista com

Alexa Salomão, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2013 | 02h13

Para Respicio Espirito Santo, especialista no setor aéreo, a nova rodada de concessões tem consórcios com operadores qualificados, mas modelo ainda poderia ser melhor.

O governo mudou as regras para aprimorar o modelo. Houve esse aprimoramento?

Parcialmente, sim. O aprimoramento foi que se procurou manter a concorrência entre os aeroportos para que não tivéssemos os grandes cabeças dos consórcios de Guarulhos, Viracopos e Brasília pleiteando Galeão e Confins. Essa foi uma alteração muito importante. A segunda alteração foi abrir um pouco mais o leque de eventuais participantes, com a redução da exigência do número de passageiros. Em contrapartida, temos ainda um vácuo no que se refere à modernização dos aeroportos. A Agência Nacional de Aviação Civil deveria incluir no edital exigências que buscassem a modernização dos aeroportos, por exemplo, no quesito geração de energia - claro que por fase, não se pode fazer isso de uma hora para outra. Por que não incluir que, a partir do quinto ano de concessão, pelo menos 5% da energia seja energia alternativa, eólica, solar? Isso já acontece em muitos aeroportos no exterior e seria uma contribuição exemplar.

O senhor destacou a questão da concorrência. A vitória dos que já têm uma concessão seria tão danosa assim?

Com certeza seria danosa e para todos - para o setor aéreo, para a economia do País e, em último caso, para a sociedade brasileira. Se você é dono ou administra aeroportos que concorrem entre si, principalmente para serviços auxiliares e voos internacionais - como é o caso de Guarulhos e Galeão, que são portões de entrada e de saída do Brasil -, cria-se um desincentivo à concorrência. A empresa aérea que está lá fora, uma Emirates, uma Qatar ou uma Aeroflot, da Rússia, qualquer uma que seja, quer servir o Brasil, olha as condições de um aeroporto e olha as do outro aeroporto. Tem com quem negociar duas coisas completamente diferentes. Se fosse um mesmo operador, não faria diferença. É o que acontece hoje com a Infraero. Não importa para a Infraero se você entra por Salvador, Recife ou Manaus. Tudo é dela. Isso aconteceria em qualquer lugar do mundo onde tivéssemos um mesmo operador em mais de um aeroporto.

A Invepar, que ganhou Guarulhos, voltou à disputa.

Essa é uma associação que preocupa. A Invepar é um ente muito poderoso, não só econômica e financeiramente. Como é formada por grandes fundos de pensão, tem também um poder político muito grande. Se ela levar o Galeão, que é o único aeroporto que pode fazer frente a Guarulhos, como já expliquei, será muito ruim.

Os estrangeiros, os grandes ausentes no primeiro leilão de aeroportos, vieram desta vez.

Vieram e acredito que para ficar. Um dos consórcios tem a participação do aeroporto de Cingapura, que ganha prêmios atrás de prêmios como o melhor da Ásia e do mundo. É um aeroporto que tem uma geração de inovação fenomenal. É ultraconfortável e amigável, não apenas para os passageiros e visitantes, mas também para as companhias que lá operam. Outro consórcio vem com os operadores dos aeroportos de Zurique e Munique, na região central da Europa, que são excepcionais. Outro consórcio está com Frankfurt que é um mega hub (no jargão de aviação, um centro de distribuição de voos). Os estrangeiros já operam aeroportos inteiros ou parte de aeroportos em outros países. Frankfurt é líder de consórcio na América Latina. Eles não querem ficar restritos à Europa e vêm em busca de novos negócios.

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