''''Os EUA não podem ser subestimados''''

Presidente do BCE diz que país tem amplo papel na economia mundial

Dow Jones Newswires, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

Os mercados não devem subestimar a importância da economia dos Estados Unidos e sua influência sobre a atividade da zona do euro na forma de fluxo de comércio de bens e serviços financeiros, disse o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet. "Os EUA parecem ter um impacto maior sobre os ciclos de negócios mundiais, muito provavelmente por causa da crescente importância dos canais financeiros e a transmissão de choques macroeconômicos", disse Trichet num discurso em Hamburgo, na Alemanha.O fluxo de comércio de bens pode sugerir que as ligações entre os EUA e a zona do euro são de uma importância secundária, disse Trichet antes de alertar. "Isso seria subestimar a importância da economia dos EUA, porque também existem canais de transmissão indiretos. Os EUA desempenham um papel mais amplo na economia mundial e pode haver uma segunda rodada de efeitos que não foi capturada pelos dados brutos que apresent."Essa segunda rodada de efeitos inclui as conexões financeiras, mas também as ligações na confiança e comércio, disse Trichet. "Depois da turbulência financeira experimentada neste verão, está se tornando mais importante entendê-los", disse.Trichet disse que tem um "relacionamento de trabalho muito bom" com seu colega do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, que é uma "plataforma para contato direto e rápido em circunstâncias especiais que venham a exigir comunicação urgente".Mas isso não significa que os dois bancos coordenam suas políticas monetárias. "Isso seria incompatível com as orientações de nossas políticas para com nossos respectivos objetivos domésticos", disse Trichet. Ao contrário do Fed, que reduziu o juro em 0,75 ponto desde setembro, para 4,50%, o BCE mantém sua política de juro estável em 4% ao ano. O BCE também indicou no encontro de quinta-feira que um aumento do juro pode ser necessário, se os riscos de alta para os preços começarem a se materializar.Trichet exortou os sindicatos de trabalhadores e empresas "a partilharem responsabilidade para assegurar que a determinação salarial apropriada leve em consideração a produtividade e as condições do mercado de mão-de-obra na indústria". O BCE vem alertando que o aumento da inflação pode produzir acordos salariais excessivos na zona do euro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.