Os franceses censurados pela Moody's

Análise: Gilles Lapouge

O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h05

A revista britânica, The Economist tem do que se gabar. Há alguns dias, dedicou à França sua primeira página, com a imagem de um feixe de baguetes francesas amarrado com um cordão e ligado a um pavio, lembrando um material explosivo. E com a manchete feroz: "França, uma bomba relógio no coração da Europa".

A revista matou dois coelhos com uma só cajadada: por um lado, manifestou com espalhafato o desejo de vingança que a Inglaterra em geral e The Economist em particular nutrem em relação à França. Melhor ainda: o prognóstico, pronunciado há oito dias, foi confirmado com grande esplendor na segunda-feira quando a Moody's tirou da França a nota Aaa.

É uma sanção lamentável. Ela representa um juízo severo sobre a França, tanto a de Sarkozy quanto a de Hollande. No entanto, há oito dias, os socialistas haviam esboçado uma "atualização". Para tornar as empresas francesas competitivas (hoje, elas são superadas por suas concorrentes), Hollande assinou um pacto visando a aliviar os encargos patronais e salariais que engessam os produtos franceses e afetam profundamente as exportações.

As críticas da agência são razoáveis: falta de competitividade, rigidez do mercado de trabalho, perspectivas orçamentárias incertas. A sanção da Moody's tem dois inconvenientes. O primeiro é que ela fere a imagem da França. Até o momento, apesar dos esforços medíocres de Paris, a França fazia parte das nações "exemplares" da Europa, ao lado da sacrossanta Alemanha, Holanda, Finlândia e Áustria. Hoje, deixa essa posição invejável, sem entretanto passar a fazer parte do "banco dos burros" no qual se aborrecem Grécia, Espanha, Portugal e Itália. O segundo temor era os mercados seguirem os passos da Moody's. Aguardamos curiosos e as repercussões não foram desastrosas.

Poderemos esperar que esta calma se mantenha, apesar da Moody's? Há nove meses, no tempo de Sarkozy, a Standard & Poor's já havia retirado da França seu triplo A, e Paris temeu um cataclismo. Nada disso aconteceu. Numa Europa em debandada, a França, apesar da S&P, ainda tem reputação de boa aluna. Mas o mesmo fenômeno curioso vai perdurar depois que a Moody's seguiu o exemplo da S&P?

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