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Os fundos de pensão e as aplicações no exterior

As entidades de previdência privada parecem propensas a aplicar mais recursos no exterior, o que não deixa de ser surpreendente. Há, de fato, uma explicação natural, que é a conveniência de diversificar as carteiras. Mas cabe indagar o quanto isso se deve à baixa remuneração de aplicações financeiras - apesar da alta de 0,25 ponto porcentual na Selic -, à queda da oferta de ativos e à incerteza da retomada da economia.

O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2013 | 02h05

Entre 2011 e 2012, os recursos das entidades de previdência fechada aplicados no exterior passaram de R$ 339 milhões para R$ 380 milhões (+12%). É um crescimento semelhante ao do patrimônio dos fundos, de R$ 573 bilhões para R$ 641 bilhões (+11,8%), no período. As aplicações no exterior são pequenas, mas alguns fundos de porte - Previ, dos funcionários do Banco do Brasil; Petros, da Petrobrás; e Funcef, da Caixa Econômica Federal - já estudam a possibilidade de aumentá-las.

Em 2012, a boa rentabilidade obtida pela maioria dos fundos de pensão tornava menos necessário buscar aplicações alternativas. Neste ano, no entanto, no primeiro trimestre, muitos fundos perderam recursos com as aplicações em renda fixa e renda variável.

Nos países desenvolvidos, os fundos aplicam muito no exterior - em média, 53,5% do valor das carteiras na Austrália, Canadá, Japão, Suíça, Grã-Bretanha e Estados Unidos, segundo a consultoria Tower Watson. "Nos países ricos, com juros baixos, os fundos tiveram há muito tempo a necessidade de buscar fora de suas fronteiras melhores fontes de ganhos", disse, em entrevista ao jornal O Globo, Luiz Mario Farias, da área de investimento da consultoria.

As aplicações no exterior não se mostram imunes aos riscos - como se viu pelas quedas nos mercados de risco, após os atentados terroristas em Boston. Os gestores internacionais que aplicam no Brasil costumam concentrar os investimentos em grandes empresas, com títulos líquidos. Os fundos brasileiros terão de seguir a tendência, pois têm obrigações atuariais rígidas.

O que causa perplexidade é a insuficiência de boas aplicações para os fundos de pensão, num país com notória falta de recursos para a infraestrutura. É possível que as imposições do governo em relação à rentabilidade de projetos, manifestadas com frequência, afastem os mais capazes de atrair capital, seja dos fundos de private equity, com R$ 83 bilhões em caixa para investir, segundo o Estado de terça-feira, seja nos de pensão das empresas estatais.

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