Ações e planos para superar obstáculos no setor imobiliário

Executivos e empresários do segmento de incorporação revelam estratégias para vencer dificuldades enfrentadas desde o ano passado

João Carlos Moreira, Especial para o Estado

17 de junho de 2015 | 02h05

As incorporadoras premiadas com o Top Imobiliário enfrentam, pelo menos desde 2014, os reflexos da desaceleração da economia, mas, de acordo com a avaliação de seus dirigentes e empresários, o segmento tem plenas condições de superar as dificuldades.

Ao divulgar seu balanço do primeiro trimestre do ano em 15 de maio, a Cyrela anunciou uma redução de 38,5% no lucro líquido em relação ao mesmo período de 2014. "Tivemos queda de R$ 100 milhões no lucro, motivada pela menor receita", afirma Eric Alencar, diretor financeiro da empresa. O resultado, segundo ele, era esperado pelo menor número de lançamentos.

Lançamentos. "No segundo trimestre, temos mais lançamentos", afirma Alencar. "O mercado imobiliário joga o jogo do Brasil, que está numa situação difícil. Para mitigar as dificuldades, temos bons produtos." Eduardo Leite, diretor de incorporação da Living, uma das marcas da Cyrela, cita como um empreendimento de sucesso do grupo em 2014 o Living Magic Osasco. "O cliente está mais consciente, mas continua atrás do imóvel, principalmente o público mais jovem", diz Leite. "É um fenômeno novo."

De acordo com o diretor regional da Odebrecht Realizações, Paulo Aridan, a companhia vai lançar grandes empreendimentos este ano.

A empresa desenvolve o Parque da Cidade, na zona sul da capital, e se prepara para anunciar seu primeiro empreendimento no bairro Perdizes, na zona oeste, com valor geral de vendas (VGV) de R$ 155 milhões."Se lançamos, é porque acreditamos que o projeto tem todos os atributos para agradar o público-alvo", afirma Aridan.

Para o presidente da MRV, Eduardo Fischer, o ano de 2014 foi bom mesmo na comparação com 2013, já que 83% das vendas da companhia são feitas dentro do programa Minha casa, minha vida.

Recorde. "Batemos o nosso recorde histórico de vendas contratadas, alcançando R$ 6 bilhões", declara Fischer. "Além disso, reportamos um aumento em todos os nossos indicadores financeiros."

Ele também demonstra ânimo em relação às perspectivas para 2015 e 2016. "A MRV planeja uma continuidade do volume de lançamentos e vendas para o biênio, projetando investir R$ 8 bilhões nesse período", afirma Fischer.

Reivindicação. Sobre o Minha casa, minha vida, o diretor geral da Plano & Plano, Rodrigo Luna, cobra uma atualização dos valores dos imóveis subsidiados pelo programa.

Segundo ele, o valor de R$ 190 mil está desatualizado. Luna estima que R$ 300 mil seria um nível adequado. "As metas de 2014 foram atingidas, tivemos crescimento de 25% em relação a 2013", informa. "Mas há muita preocupação do setor em relação a 2015 e 2016."

VGV. A Plano & Plano está em sexto lugar no ranking geral das incorporadoras. Entre as dez empresas que registraram maior valor geral de vendas (VGV) dos lançamentos em 2014 (veja acima), apenas a Eztec não aparece entre as dez mais desse segmento. A lista final, além do VGV lançado, faz a ponderação de outros quatro itens: o número de empreendimentos, de blocos e apartamentos lançados, além da área construída.

O presidente da Tibério, Carlos Tibério, não fala em números na comparação com 2013, mas diz que as metas e prioridades de 2014 foram as mesmas dos anos anteriores: "Manter a solidez financeira da empresa e a política seletiva, buscando liquidez nos lançamentos, bem como fortalecimento do caixa e controle de custos e despesas". Ele destaca o lançamento do empreendimento Connect em Diadema, no ano passado, superando as expectativas do grupo.

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