ANÁLISE: Os investidores estão voltando

Vale destacar que o formato do leilão – com lotes de diferentes tamanhos – favoreceu a diversidade de investidores

Thais Prandini*, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2017 | 22h47

Os resultados do leilão de linhas de transmissão de ontem refletem o momento positivo do setor elétrico brasileiro. Apesar da persistência de alguns desafios importantes – como a judicialização relativa à garantia física de hidrelétricas e o baixo volume de água nos reservatórios das principais usinas –, é inegável que o investidor está de volta. No total, os consórcios vencedores do certame devem investir R$ 12,7 bilhões em linhas de transmissão em 19 Estados nos próximos anos.

Dos 35 lotes oferecidos, apenas quatro não tiveram interessados. Esses resultados contrastam com os verificados nos últimos anos. De 2012 a 2016, cerca de 40% dos lotes oferecidos em leilões do tipo deram “vazio”. É que a falta de segurança regulatória provocada pela Medida Provisória 579/2012, que renovou de maneira irresponsável as concessões de geração e transmissão, combinada à falta de capital, levou os investidores a puxarem o freio de mão. Hoje, esse cenário ficou para trás.

A onda de otimismo dos investidores também fica clara pelos altos índices de deságio observados, com destaque para a indiana Sterlite Power Grid Ventures, que fez sua estreia no setor elétrico brasileiro oferecendo 58,86% de diferença no valor que aceita receber e o inicialmente proposto pela Aneel pelo lote 10.

Vale destacar também que o formato do leilão – com lotes de diferentes tamanhos – favoreceu a diversidade de investidores. O formato também reduz o risco dos investimentos, um esforço provavelmente para se evitar problemas nas obras, como aconteceu nos casos das espanholas Abengoa e Isolux, cuja agressividade nos leilões de contratação acabou comprometendo a capacidade de entrega.

Por fim, destaque para a participação da Cteep. O comportamento da grande vencedora do leilão sugere que os recursos aprovados recentemente pela Aneel para remunerar investimentos anteriores a 2000 que ainda não haviam sido amortizados vão voltar a ser aplicados no setor elétrico brasileiro, o que é muito positivo para todos nós.

*Diretoria executiva da Consultoria Thymos Energia

Mais conteúdo sobre:
AneelMedida ProvisóriaCteep

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.