Os investimentos continuam a crescer

O Indicador Ipea Mensal de FBCF publicado na Carta de Conjuntura do Instituto mostra um avanço de 4,1% entre janeiro de 2017 e janeiro de 2018

O Estado de S.Paulo

23 Março 2018 | 03h00

O recuo da indústria em geral constatado entre dezembro de 2017 e janeiro de 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também foi exibido na taxa de investimento (Formação Bruta de Capital Fixo - FBCF) do período. Estimada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) para o primeiro mês do ano, essa taxa caiu 2,4% em relação ao mês anterior. Mas a queda tem forte componente sazonal e, na comparação com períodos mais longos, não traz motivos para preocupação, pois, nesse caso, a FBCF continua a mostrar um crescimento bastante expressivo.

O Indicador Ipea Mensal de FBCF publicado na Carta de Conjuntura do Instituto mostra um avanço de 4,1% entre janeiro de 2017 e janeiro de 2018 e de 3,1% no trimestre novembro de 2017-janeiro de 2018, comparado a igual período de 2016/2017. O crescimento do investimento entre os primeiros meses de 2017 e 2018 foi liderado por máquinas e equipamentos (+16%), provocado pela produção líquida de exportações (+16,6%) e pelas importações (+9,9%). A construção civil contribuiu com apenas 0,4% e continua sendo o segmento cuja recuperação está mais atrasada. O item outros ativos fixos teve alta de 1,1%.

A comparação entre períodos de 12 meses terminados em janeiro de 2017 e janeiro de 2018 ainda é negativa (-1,1%), o que se deve à forte queda de 5% do investimento em construção civil e de 4,7% nas importações de bens de capital. Mas o item mais importante - o investimento em máquinas e equipamentos - foi positivo em 5,2% nessa base de comparação, puxado pela produção de bens industriais líquida de exportações, com alta de 9,2%.

Os números de janeiro confirmam que a retomada dos investimentos - e da economia brasileira - não é linear nem se verifica em todos os segmentos de atividade. A comparação com o mês anterior também foi negativa no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), mas favorável em relação a janeiro de 2017.

Em síntese, a recuperação da economia do País ainda é lenta e influenciada pelo consumo das famílias, refletido em levantamentos recentes sobre o comércio varejista. A retomada do investimento é crucial, menos pelo impacto imediato que produz no Produto Interno Bruto (PIB) e mais por indicar que um número crescente de empresas acredita no vigor da demanda futura.

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