''''Os jornais não acabaram. E não vão acabar''''

Sam Zell, que fez fortuna com imóveis, assume a Tribune Company e promete elevar receitas sem cortar despesas

Richard Pérez-Peña, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2007 | 00h00

Na quinta-feira, depois de fechar uma transação no valor de US$ 8,2 bilhões que retirou as ações da Tribune Company da Bolsa de Valores, Samuel Zell nomeou a si mesmo diretor-presidente do grupo, anunciou um novo quadro de diretores e gerentes e declarou que a empresa, em dificuldades, vai procurar elevar a receita em vez de reduzir despesas. Na entrevista coletiva à imprensa em Chicago, Zell, que ergueu fortunas com imóveis, fez questão de manter a reputação de ser um empresário rude, engraçado e totalmente contra a corrente. Ele menosprezou o senso comum de que a indústria jornalística - e a Tribune Company mais especificamente - está sofrendo de uma longa e inevitável contração e declarou repetidas vezes que a Tribune poderá elevar suas receitas. "Estou enjoado e farto de ouvir todo mundo falar do fim dos jornais e condoer-se deles", disse. "Eles não acabaram. E não vão acabar."Sobre a Tribune, disse ele: "Creio que é um investimento de risco muito baixo, mas essa não é a primeira vez que minha opinião diverge da de todos os demais".A transação converte a Tribune numa organização sem fins lucrativos de propriedade total de um plano pelo qual os funcionários são proprietários das ações. Mas Zell, que investiu US$ 315 milhões no negócio, tem o direito de comprar até 40% da empresa no futuro. A Tribune é dona dos jornais Chicago Tribune, Los Angeles Times, Newsday, Baltimore Sun e de 23 estações de televisão, entre outras coisas.Na quinta-feira, a empresa acrescentou cinco membros à sua diretoria, em substituição a quatro diretores que estão saindo. Três outros permaneceram, incluindo Zell, o novo diretor-presidente. A maioria dos recém-chegados tem longa experiência em comunicações, mas não nas indústrias básicas de televisão e jornais da Tribune. "Não é uma diretoria na qual temos de ter pessoas que vão impressionar Wall Street", comentou Zell. "Eles tendem a ser pensadores não convencionais."Um dos novos diretores é Brian L. Greenspun, que comanda a empresa de investimento de sua família, a Greenspun Corporation, e fez um investimento não especificado na Tribune. A Greenspun Corporation possui várias publicações, entre elas o jornal Las Vegas Sun, do qual Brian é o editor.Os outros são Jeffrey S. Berg, que dirige a agência de talentos International Creative Management; William C. Pate, um executivo da firma de investimentos de Zell; Maggie Wilderotter, presidente do conselho e diretora-presidente da Citizens Communications, uma empresa de telefonia e internet: e Frank E. Wood, que tem comandado uma cadeia de estações de rádio, um firma de capital de risco e uma empresa de tecnologia de internet. Zell também nomeou dois vice-presidentes executivos: um dos seus ex-lugares-tenentes no ramo imobiliário, Gerald A. Spector, e Randy Michaels, um veterano executivo de rádio e televisão. CRÍTICASZell fez críticas severas à administração que está de saída da Tribune Company, dizendo que a velha guarda comandava um grupo cujas "decisões eram muito demoradas". "Creio que, nos últimos cinco anos, essa empresa passou uma boa parte do tempo reduzindo custos e talvez não tempo suficiente aumentando as receitas. O que essa empresa precisa é de um dono", disse ele. "Precisa de alguém que assuma a responsabilidade por aquilo que a empresa faz."

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