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Os jovens e inquietos fundadores de fintechs brasileiras

Pesquisa mostra que um terço dos sócios dessas empresas tem entre 26 e 35 anos

Por Renée Pereira
Atualização:

Aos 13 anos, Alan Chusid ajudava na fábrica dos avós para ganhar uns trocados; com 15, Lucas Moraes já havia entrado para o ranking profissional de motocross e sido contratado por uma multinacional; e, aos 16, Pedro Conrade dava os primeiros passos no empreendedorismo, com uma loja de biquínis no Guarujá (SP). Os três começaram cedo e tiveram trajetórias diferentes, mas nos últimos anos ajudaram a turbinar um dos negócios que mais tem crescido no Brasil. Hoje, com idade entre 27 e 29 anos, eles estão à frente de fintechs – startups de serviços financeiros – que têm incomodado os grandes bancos.

Da esquerda para a direita: Lucas Moraes, da fintech Olivia, Pedro Conrade, da Neon, e Alan Chusid, da Spin Foto: Daniel Teixeira/Estadão

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Chusid é sócio da Spin; Moraes, da Olivia; e Conrade, da Neon. Eles são a cara da geração que tem levado adiante o desafio de dar maior competitividade ao setor financeiro por meio de mais tecnologia. São jovens, inquietos e com uma vontade enorme de empreender, segundo estudo realizado pela consultoria de inovação Distrito Dataminer. O trabalho mostra que mais de um terço dos sócios das fintechs tem até 35 anos, 88% são do sexo masculino, 57% são de São Paulo, 9% do Rio de Janeiro e 7% de Minas Gerais. A maioria já teve experiência em outras empresas, como Conrade, de 27 anos. 

Antes de fundar a Neon, ele já havia aberto uma loja de biquínis e uma startup de compras coletivas. “Mas deu tudo errado.” No primeiro negócio, os problemas começaram a surgir quando Conrade decidiu vir para São Paulo fazer faculdade. Foi na universidade que começou a ter contato com o mundo econômico, das consultorias e dos bancos. “Até então estava acostumado com a realidade da praia”, diz ele, que morava no Guarujá.

‘Bancão’

No auge do Peixe Urbano e Groupon, Conrade e outro sócio abriram o Reurbano, um site de compra coletivas que durou oito meses. Logo em seguida, com o mesmo sócio, ele abriu a Startup House, uma espécie de aceleradora com incubadora. Durante dois anos, investiram em 18 startups. “Mas chegou num ponto que cansei de ficar do outro lado da mesa só dizendo o que fazer. Aí tive uma experiência ruim com um ‘bancão’ e decidi criar um banco digital”, conta ele. Assim nasceu a Neon em 2016. 

Hoje o banco digital tem 600 funcionários, 5,8 milhões de usuários e muitos planos para continuar crescendo. Só em outubro a instituição teve 860 mil novos usuários e receita do mês igual a de 2018 inteiro. “Nunca imaginei criar um banco digital. Durante muito tempo, meu objetivo era ter uma rede de lojas de biquínis em todo o litoral.”

O Brasil tem hoje 553 fintechs, segundo a consultoria. De agosto de 2015 para cá, esse número cresceu quase 900%, numa média de 110 startups por ano. Cada uma delas conta, em média, com três sócios, sendo que boa parte deles tem graduação ou algum curso no exterior, diz Tiago Ávila, da Distrito. Um dos locais mais procurados é o Vale do Silício, nos Estados Unidos – berço da tecnologia e das startups no mundo. Foi também o destino escolhido por Lucas Moraes, de 29 anos, fundador da Olivia – startup que usa inteligência artificial para ajudar o usuário a controlar os gastos.

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Motocross

Herdeiro da família Ermírio de Moraes, ele teve trajetória bem diferente de outros empreendedores. Antes de se enveredar pelo mundo digital, foi piloto de motociclismo. Ganhou prêmios e fama. Foi o segundo brasileiro na história do motocross nacional a se classificar para a AMA Motocross – uma das categorias de maior expressão nos Estados Unidos. 

Aos 21 anos, porém, uma lesão no quadril o tirou do esporte. “Parei no auge e não sabia o que fazer da vida”, diz ele. Foi aí que o espírito empreendedor da família que fundou a Votorantim despertou Moraes, que decidiu fazer faculdade de administração e, em seguida, estudar na Singularity University – faculdade de inovação e empreendedorismo do Vale do Silício.

Lá conheceu o sócio Cristiano Oliveira e criaram o aplicativo Olivia. A empresa foi aberta nos Estados Unidos e opera desde meados de 2015. No ano passado, depois de um aporte feito pela XP Investimentos, Moraes voltou ao Brasil para “tropicalizar o aplicativo” e explorar o mercado nacional. Hoje a Olivia está funcionando em versão beta (em desenvolvimento) e tem 20 mil pessoas na lista de espera. A expectativa é lançar a versão definitiva até abril de 2020.

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A Spin Pay – empresa de pagamentos instantâneos – de Alan Chusid surgiu em dezembro de 2018. Mas essa é apenas uma das iniciativas do jovem empreendedor, de 28 anos. Desde pequeno, ele queria montar um negócio próprio. Nas férias, ajudava na fábrica dos avós em troca de R$ 10 por dia e vendia semijoias na frente do prédio de um amigo. Aos 20 anos, quis abrir uma empresa de delivery de bebidas, mas foi impedido pelo pai, que o obrigou a estudar. Fez faculdade, trabalhou numa construtora, num family office e numa gestora de investimento.

Mas decidiu realizar o sonho e abriu uma empresa de entrega por motoboy. “Era o fundador, o investidor e nunca tinha trabalhado com tecnologia. Não podia dar certo”, diverte-se com o fracasso. Mas, depois da experiência, veio um convite de Conrade para criarem a Neon – banco no qual era sócio até bem pouco tempo. Decidiu então criar uma nova fintech, voltada para pagamento em compras online. Além da Spin, também é sócio de uma empresa de pasta de amendoim e outra de sandálias veganas. “Sempre vejo um problema como oportunidade.” 

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