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Fábio Gallo
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Os juros sumiram; e agora?

O crédito está mais barato, mas investimento vem com um conjunto de fatores

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2019 | 04h00

A primeira vez que usei esse mesmo título em um artigo foi em 2012, ano em que, também, vivíamos uma expectativa muito otimista.

Mas, a história nos mostrou que as coisas não sairiam como o esperado. O fato é que hoje estamos novamente esperançosos e finalmente fora da lista dos dez países com os maiores juros reais do mundo.

O cenário atual da economia aparenta ser mais sólido. A taxa de juros básica (Selic) atual é a mais baixa nominalmente e em termos reais de nossa história. Diversos indicadores mostram que, finalmente, a nossa economia pegou tração e deverá produzir um crescimento de PIB acima do 1%, como ocorreu no passado recente. 

Quem tiver, agora, que tomar recursos via mercado financeiro está bem mais barato e o empresariado pode começar a pensar em investir em novos projetos. Isso é muito bom.

Bom! Mas, não é bem assim! 

O crédito está mais barato, mas investimento vem com um conjunto de fatores. Os entraves na nossa economia ainda são muitos. A questão da infraestrutura, o emaranhado tributário, banda larga que não é tão larga assim, burocracia que está no nosso DNA, políticos que pensam somente no voto e não no País, a corrupção endêmica e tantos outros fatores que impedem que sejamos competitivos e que não permitem dizer que vamos ter um crescimento sustentável e que não haverá outro voo da galinha

Para os investidores, de modo geral, o panorama é alvissareiro. Certo? Não é bem assim. Há décadas nós estamos acostumados a aplicar em renda fixa, não correr risco e ainda ganhar dinheiro. Bastava ter um pouco de controle orçamentário e investir em renda fixa para conquistar todos nossos objetivos. Estamos vivendo um período de transição que nos conduzirá à mudança de nosso comportamento financeiro. 

O novo cenário traz implicações para cada um dos agentes da economia que devem ser levadas em conta. Poupadores de maneira geral não terão mais ganhos do dia para noite. Deixar de avaliar risco pode levar a sérios prejuízos. O investidor que aplica pensando na sua aposentadoria terá de decidir entre se preparar para retiradas menores ou prolongar bastante o seu período de contribuição.

Os administradores de fundos (no geral) deverão rever as taxas de administração cobradas, porque estão distorcidas. E o governo é beneficiado com a queda de juros porque vai pagar menor remuneração de seus passivos. Em compensação a arrecadação vai cair pela redução da renda financeira.

Um cuidado especial: em momentos como este, começam a surgir “gurus” de finanças. Não dá para acreditar em mágicas. Além do que, não há uma resposta geral para todos os investidores. Pois cada um tem os seus objetivos a serem atingidos e um certo comportamento de aversão a risco.

Não há mágica. Dessa forma, volto-me à base do raciocínio de investimentos que exigem planejamento, disciplina e conhecimento de finanças.

Sendo mais claro, o novo cenário pressupõe correr mais riscos. Isso exige mais trabalho e mais técnica para realizar os ganhos possíveis. Devemos lembrar também que a regra máxima é ganhar mais e gastar menos, para qualquer um dos agentes de mercado.

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