Justin T. Gellerson/NYT
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Os mais ricos chegam a Washington

Na cultura da capital sempre houve uma diferença entre ter dinheiro e ser rico, mas a combinação entre a Casa Branca mais rica da história e o boom em empreendimentos está transformando o dinheiro local

Robert Frank, The New York Times

29 de maio de 2017 | 10h50

WASHINGTON - Em Washington, a riqueza está sendo redefinida à medida que os modestos milionários da região abrem caminho para uma nova classe de super-ricos.

Por muitos anos, Washington e seus subúrbios se caracterizaram por estar entre as zonas mais abastadas do país. Os quatro municípios com maior renda nos Estados Unidos - segundo a renda média - estão todos perto de Washington, de acordo com o Census Bureau (Departamento do Censo). Os três primeiros ficam no estado da Virginia: Loudon, seguido por Falls Church City (uma cidade independente que o censo trata como condado) e Fairfax. O quarto lugar pertence ao município de Howard, em Maryland. 

A região também abriga muitos milionários. Maryland, Virginia e Washington estão todos no top 10 de milionários per capita, de acordo com a Phoenix Marketing. 

Mas na cultura da capital do país sempre houve uma diferença entre ter dinheiro e ser rico. Nova York e Los Angeles podiam ficar com os bilionários que possuem mansões, dirigem Ferrari e amam iates. A elite de Washington se contentava com uma casa colonial de três quartos, duas rendas e as melhores escolas privadas do país. Seus poucos bilionários eram, na maioria, donos quase desconhecidos de times esportivos locais.

Mas, agora, a combinação entre a Casa Branca mais rica da história e o boom em empreendimentos que relacionam o governo a empresas de tecnologia está transformando o dinheiro de Washington em "pompa e luxo". 

Existem 34 bilionários em um raio de 40 km de Washington, de acordo com Wealth-X, uma empresa de serviços de informação que se especializou em identificar os hábitos dos super-ricos. Esse número aumentou desde o ano passado. E existem 2.049 residentes na região da capital que valem cerca de 30 milhões de dólares.

Os preços e as vendas de mansões de milhões de dólares estão nas alturas. Marcas de luxo mais associadas a Madison Avenue ou a Rodeo Drive fazem fartos negócios perto do Capitólio. Chefs-celebridades abrem restaurantes elaborados e cobram preços pouco familiares a Washington (280 dólares por um menu degustação).

Além dos tradicionais Prius e SUVs da Mercedes, carros esportivos no valor de seis dígitos, como Aston Martins e McLarens, também estão vendendo bem.

"A riqueza está explodindo aqui", disse William Shawn, advogado que vive há muito tempo em Washington e que, em um empreendimento paralelo, abriu uma concessionária que vende Ashton Marins e Bentleys. "Fico admirado com a quantidade de dinheiro que as pessoas trazem ao showroom".

Os sinais mais óbvios estão no mercado imobiliário. O preço médio de uma propriedade no valor de 1 milhão de dólares aumentou 33% no primeiro bimestre, de acordo com a Redfin. Esse aumento está entre os maiores do país.

Tudo isso se deve, pelo menos em parte, aos milionários e bilionários que compõem a administração Trump. Steven Mnuchin, secretário do Tesouro e ex-gestor de fundos, desembolsou 12,6 milhões de dólares em fevereiro para adquirir uma propriedade na Massachusetts Avenue Heights. Wilbur Ross, bilionário secretário de comércio, pagou 10,75 milhões em janeiro por uma mansão Beaux-Art no mesmo bairro.

Rex W. Tillerson, secretário de Estado e ex-diretor executivo da Exxon Mobil, pagou 5,6 milhões de dólares por uma casa colonial no bairro de Kalorama, onde Ivanka Trump e Jared Kusner estão alugando uma casa de seis quartos por 15 mil dólares ao mês.

Mas o recordista do mercado imobiliário de Washington não está ligado à administração Trump. Jeff Bezos, diretor da Amazon e dono do The Washington Post, pagou 23 milhões de dólares pelo antigo museu têxtil de Kalorama e planeja converter seus 2.500 metros quadros, divididos em dois prédios, em uma casa para a família.

Corretores dizem que esse recorde deve ser quebrado em breve. "Acredito que estamos vendo um nível completamente novo de clientela na cidade", disse Mark Lowham, corretor imobiliário da Sotheby's International Realty em Washington.

Ele é dono de uma casa de oito quartos, avaliada em 22 milhões de dólares na Chain Bridge Road, região noroeste da cidade. Também possui uma cobertura no Ritz-Carlton de Georgetown, avaliada em 9,95 milhões de dólares.

Embora estejam distantes dos de Nova York, esses valores significam um salto enorme para Washington. Lowham disse recentemente que vendeu um apartamento de 7,5 milhões na Water Street, que corre ao longo do rio Potomac.

Os compradores não são apenas pessoas da cidade. Cada vez mais, os super-ricos de todas as partes do mundo estão descobrindo os benefícios de possuir uma casa em Washington. Além de ser muito barato se comparado a Nova York ou Londres, a cidade abre aos donos de empresa e àqueles interessados no poder um livre acesso ao governo.

"Essas pessoas já tem uma casa em Londres, Hong Kong e Nova York, agora perceberam que, se adicionarem Washington ao seu portfólio, podem circular por aqui e avançar nas suas agendas", disse Lowham.

A nova administração pode estar contribuindo com a riqueza de Washington, mas fortunas também estão surgindo de startups e pessoas recém-chegadas à cidade. Um jovem de 25 anos recentemente entrou na concessionária de Shawn e pagou 340 mil dólares em espécie por um Aston Martin Vanquish. O cliente disse que tinha acabado de vender, por dezenas de milhões de dólares, uma empresa de tecnologia que ele havia fundado.

"O governo pode ter dado início a muito disso", disse Shawn, "mas com a cybersegurança agora há muitos desses jovens inteligentes começando suas próprias empresas de tecnologia ou de telecomunicação, e se dando muito bem."

Sua concessionária ainda pode estar muito atrás das de Los Angeles, Greenwich, Connecticut e Palm Beach, Florida. Mas, quando se trata de vendas, disse Shawn, "Estamos chegando nelas rapidamente".

 

Tradução de Renato Prelorentzou 

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