Os novos negócios de Carlos Sanchez,controlador da EMS

Empresário já tem três farmacêuticas, criou uma incorporadora imobiliária e participou até da licitação do Rodoanel

Melina Costa, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2010 | 00h00

A EMS teve origem em uma pequena farmácia criada pelo empresário Emiliano Sanchez em meados de 1950 e transformou-se em fabricante de medicamentos na década seguinte. Mas foi nos últimos dez anos que deu seu maior salto. Sob o comando de Carlos Sanchez, filho mais novo de Emiliano, a EMS foi o primeiro laboratório do País a apostar nos genéricos. Em 2001, a farmacêutica ocupava a 13ª posição entre os principais do setor. Em 2006, a empresa alcançou a liderança - posição que mantém ainda hoje. Mesmo como esse feito, Carlos Sanchez não considera sua missão cumprida.

Há dois anos, o empresário decidiu ampliar sua presença no mercado de medicamentos ao transformar duas unidades da EMS em laboratórios separados e concorrentes. Segundo dados oficiais a que o Estado teve acesso, a Germed Pharma, fabricante de genéricos e similares de Sanchez, tornou-se a terceira maior empresa de genéricos no mês de setembro, ultrapassando a Eurofarma. "Em 2015, estaremos em segundo lugar em genéricos. A tendência é que a Medley e a EMS percam participação", diz José Cosme dos Santos, presidente da Germed.

Ao contrário da EMS, a Germed não entra na briga pelas grandes farmácias: fica no pequeno e médio varejo e vende similares em áreas a que a empresa-mãe dedica menos atenção. A Legrand, outra empresa do Grupo EMS, também se esforça para conquistar as pequenas farmácias na venda de genéricos mais baratos que os da EMS. Outro braço é a oferta de medicamentos isentos de prescrição. Em vez de investir em publicidade, como faz a EMS, a Legrand investe no trabalho em pontos de venda para conseguir uma boa exposição nas prateleiras.

Existem diferenças na estratégia de cada laboratório, mas o fato é que todos, em última análise, competem no mesmo mercado. Qual a lógica, então, desse modelo? "Isso é comum no mundo dos genéricos. Como toda cópia é igual, a grande batalha é para estar presente no ponto de venda. E cada farmácia prefere um laboratório por motivos diferentes. Então a ideia é: já que é para perder vendas, que seja para mim mesmo", diz Odnir Finotti, presidente da Pró Genéricos.

Há sinergias entre os laboratórios de Sanchez. Apesar de terem gestão separada, EMS, Germed e Legrand usam as mesmas fábricas e também a mesma equipe de pesquisa e desenvolvimento. Em um modelo de prestação de serviço, as novas farmacêuticas pagam pelo uso das máquinas e pelo trabalho dos cientistas da EMS, que, por sua vez, otimiza seus investimentos.

Tome-se como exemplo o caso do princípio ativo do Viagra, o citrato de sildenafila. Segundo a Anvisa, o Grupo EMS tem, ao todo, oito registros para o mesmo produto, entre genéricos e similares. "O desenvolvimento de um genérico é caro e arriscado. Segundo uma média mundial, gasta-se de US$ 2 milhões a US$ 3 milhões para chegar a um cópia. Para diluir esse custo, é preciso alcançar o máximo possível do mercado brasileiro", diz Reinhard Nordmann, presidente da Legrand.

Em setembro, a família Sanchez investiu em mais um laboratório. Marcus e Leonardo Sanchez, sobrinhos de Carlos, adquiriram a Mepha Ratiopharm do Brasil. Com a consultoria de Carlos, a Mepha também deve fazer acordos com a área de desenvolvimento de medicamentos da EMS no futuro.

Setor imobiliário. No ano passado, Carlos Sanchez decidiu entrar no ramo imobiliário. Sua incorporadora, a ACS, lançou o primeiro empreendimento em março e deve lançar outros sete até dezembro, totalizando um valor geral de vendas de R$ 340 milhões. O banco BTG Pactual é sócio em um dos prédios. "O acionista (Carlos) quis diversificar os investimentos. E o setor imobiliário está em um ótimo momento", diz Silvio Chaimovitz, presidente da ACS.

Tudo indica que a diversificação de Sanchez não dever terminar por aqui. A EMS participou até da licitação para explorar dois trechos do Rodoanel, em São Paulo, mas acabou não saindo vencedora.

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