Os primeiros efeitos da nova política cambial

O tsunami financeiro denunciado pela presidente da República está salvando as contas externas, como mostram os dados de março do balanço de pagamentos.

O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2012 | 03h10

A conta capital-financeira de março foi de US$ 13,6 bilhões, enquanto a média mensal dos últimos 12 meses ficou em US$ 8 bilhões. Sem essa liquidez internacional, seguramente o Brasil não teria conseguido receber Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs) líquidos de US$ 5,8 bilhões em março e de US$ 14,9 bilhões no trimestre.

Não há dúvida de que a instituição do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre outros tipos de entradas de recursos teve como efeito uma saída líquida de US$ 323 milhões em março. Outras operações de crédito, essencialmente as de mais de três anos, representaram uma entrada líquida de US$ 2,8 bilhões. Verifica-se, assim, que o governo conseguiu conter a entrada de capitais externos mais especulativos, que estavam contribuindo para aumentar a valorização do real ante o dólar.

O Brasil tem consciência, ao contrário do seu vizinho do sul, de que os IEDs são indispensáveis, não apenas para cobrir o déficit das transações correntes, como para contribuir para o crescimento das atividades no País.

De fato, o déficit das transações correntes foi de US$ 3,3 bilhões em março, com exportações superiores em 8,4% às do mesmo mês de 2011, e importações 6,5% maiores. As compras no exterior têm sido contidas por um dólar mais caro do que alguns meses atrás. Até a conta de serviços acusa uma redução de 46,8%, que se concentra especialmente nas remessas de lucros e dividendos com um real menos valorizado. Os dados parecem mostrar que a política de defesa cambial do governo está correta.

As remessas de lucros e dividendos somaram US$ 2 bilhões em março, ante US$ 3,9 bilhões em março de 2011. É curioso que os investimentos brasileiros no exterior, de US$ 202 bilhões no final do ano passado, auferiram uma receita de apenas US$ 41 milhões.

O Banco Central está prevendo um déficit das transações correntes de US$ 68 bilhões, com entrada de IEDs somando US$ 50 bilhões. Previsão talvez pessimista, quanto ao déficit das transações correntes, pois as exportações de commodities continuam com um preço elevado, enquanto as importações vão sendo contidas pela desvalorização do real.

No quadro internacional, o Brasil continua tendo a preferência dos investidores estrangeiros, o que poderá limitar a desvalorização do real.

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