''Os problemas no sistema vão continuar''

Otaviano Canuto: Vice-presidente do Banco Mundial; segundo ele, o Brasil respondeu bem à crise. Mas o País deve manter a vigilância para se afastar do risco global

Entrevista com

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

04 de setembro de 2009 | 00h00

O mundo foi exitoso em evitar o colapso financeiro, mas a pobreza cresceu. O alerta é do vice-presidente do Banco Mundial, o brasileiro Otaviano Canuto. A tendência é de recuperação, diz Canuto, responsável pelo combate à pobreza e desenvolvimento econômico e ex-secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda. Sobre o Brasil, ele deixa claro que avaliação do Banco Mundial é de que o País conseguiu superar com relativa rapidez a crise. Mas sugere que as autoridades "mantenham a vigilância" para evitar que os ganhos sejam desfeitos nos próximos meses.

A OCDE indica que há sinais de superação da recessão. É o fim da crise na avaliação do Banco Mundial?

O mundo evitou o colapso econômico e isso ocorreu graças a uma coordenação de posições e de ações. Mas há pelo menos mais uma dimensão que não podemos esquecer, que é o aumento da pobreza, principalmente nos países que não contam com os recursos dos países ricos ou mesmo a capacidade de economias como a do Brasil ou China.

O FMI estima que o mundo gastou, em um ano, US$ 10 trilhões para salvar bancos e relançar as economias centrais. Já o número de pobres teria aumentado em 100 milhões. Houve uma negligência por parte da comunidade internacional?

O mundo evitou o caos financeiro. As economias do G-20, principalmente, focaram esforços para garantir uma solução. Isso é compreensível, já que são as principais economias mundiais e um problema mais profundo representaria um risco sistêmico. Por isso é que se justificou o volume de recursos para salvar essas economias. Mas há uma segunda parte da crise. Inúmeros países mais pobres foram afetados pela crise.

Quanto, então, será necessário para salvar esses países e possibilitar que a proporção de miseráveis não se amplie nos próximos meses?

Estamos fazendo uma avaliação de que os países mais pobres precisarão a partir de agora US$ 11 bilhões por ano para manter seus serviços de saúde, educação e outros atendimentos à população.

Como o Brasil sai dessa crise, na avaliação do Banco Mundial?

O Brasil deu uma resposta adequada à crise. Por isso, está saindo da situação de forma rápida graças à situação prévia do País, que era a de uma base sólida das reservas. A vigilância precisa ser mantida. Os problemas no sistema internacional vão continuar.

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