Os problemas são estruturais

ANÁLISE: Julio Gomes de Almeida

O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2014 | 02h02

Está cada vez mais claro que os impasses da indústria brasileira não são pontuais, mas estruturais e não serão resolvidos com medidas tópicas de política econômica.

Não se pode omitir que por encurtar os mercados consumidores de bens industriais ao redor do mundo, a crise global de 2008 demarcou uma trajetória de ininterrupta contestação da nossa indústria. Isto precipitou a queda das nossas exportações e levou à substituição de parcela expressiva do produto nacional pelo produto importado no mercado interno.

O contexto externo desnudou a nossa ínfima capacidade de concorrer com a produção dos grandes centros industriais e mesmo com a produção de países cuja intensidade e diversificação industrial não se comparam com a brasileira.

Não há uma causa única para o déficit de competitividade. Vem da cumulatividade de impostos que torna a produção local muito cara, de uma grande carência de infraestrutura e de uma moeda por décadas sobrevalorizada, que restringiu investimentos voltados à nova tecnologia e à exportação. A produtividade cresce pouco, enquanto custos evoluem intensamente.

Os últimos dados do IBGE jogam por terra mais uma esperança de recuperação industrial. Após um rápido ensaio de reativação em julho e agosto, nos dois meses seguintes a produção estagnou.

A indústria precisa de mais e não de menos política industrial, mas esta precisa ter alcance maior, incentivando mais a inovação, a exportação e os investimentos que elevarão a produtividade. Precisa também de um câmbio minimamente competitivo e que o nosso alto custo sistêmico comece a encontrar uma solução.

* Ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda e professor da Unicamp

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