Os prós e os contras dos fundos de private equity

O que os empresários precisam saber antes de vender parte de sua companhia para fundos de participação

THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2012 | 03h09

Quando os investidores cortejaram o empresário Puneet Mehta com a promessa de ajudá-lo a dar maior impulso à sua empresa de marketing, fundada em 2006, ele ficou encantado. Com planos de aumentar a equipe de vendas e formar uma rede mais robusta de distribuição, o empreendedor de Atlanta decidiu vender parte da companhia para um fundo de private equity, que fez um aporte de US$ 1,5 milhão na empresa.

"Mas depois de levantar o dinheiro percebi que o contrato tinha tantas cláusulas que perdi total controle da empresa", disse ele. "Diariamente era uma tortura ir para o escritório, ser um empregado no negócio que criei."O empresário então desistiu: a receita da companhia caiu para zero e hoje ela existe só no papel.

Especialmente depois que o currículo de Mitt Romney se tornou um item de campanha eleitoral nos EUA, os méritos dos fundos de private equity, conhecidos por seu foco nos ganhos a curto prazo, têm sido questionados. Os investidores normalmente usam um misto de dívida e ações para adquirir uma grande participação em empresas não bem sucedidas, em seguida fazem uma reengenharia das estruturas operacionais, administrativas e financeiras, com o objetivo de vender a empresa com lucro num prazo de cinco anos.

Graças a histórias como a de Puneet Mehta e aos ataques contra Romney, a reputação do setor sofreu alguns golpes. Mas os fundos de private equity continuam sendo uma opção tentadora para alguns proprietários de pequenas empresas. Afinal, é difícil conseguir crédito em bancos e outras alternativas financeiras são extremamente caras.

Mas como garantir que essa sociedade dê certo? Entrevistas com dezenas de empresários e investidores levam a uma mesma conclusão: é preciso ir devagar e considerar alguns pontos antes de pegar o dinheiro. Primeiro, é bom saber que gestores de private equity não são sentimentais. Eles querem lucrar com o negócio. Sabendo disso, o empresário tem de responder a duas perguntas antes de fechar com o sócio: quer capital para crescer sem deixar o dia a dia da empresa ou quer vender tudo? Se a ideia é permanecer na companhia, é preciso estar disposto a dividir o controle com o fundo e em alguns casos até ser empregado deles. Decisão tomada, é hora de o empreendedor checar os antecedentes do private equity e conversar com donos de outras empresas que receberam investimento do mesmo fundo.

Um bom sócio deve contribuir não só com dinheiro, mas com conhecimento do setor, contatos e experiência para acessar novos mercados. Para um empreendedor que consegue essa rara combinação de capital, talento e cooperação, os benefícios do private equity são consideráveis.

O empresário americano Ryan Eleuteri, dono da fabricante de bebidas Charleston não se arrepende de ter vendido 30% de sua empresa para a Duart Mull. Com a ajuda do sócio, ele conseguiu aumentar o faturamento de US$ 50 mil em 2010 para US$ 300 mil este ano. "Opero minha firma diariamente como o dono de uma pequena empresa, mas se algum problema surge, sei que eles têm interesse em meu sucesso", diz Eleuteri. "É como ter um irmão cuidando de você quando você se envolve numa briga na escola."

Para Puneet Mehta, não teve volta. Em sua nova empresa, a Local Marketing, ele renunciou a qualquer financiamento de fora. "Hoje somos procurados todos os meses por bancos e fundos que oferecem dinheiro", diz ele. "Mas não precisamos deles". / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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