Os retalhos de uma trajetória de empreendedorismo

Livro conta a história de Abram Szajman - da loja de roupas no Bom Retiro a empresas como VR e Mappin

O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2012 | 03h07

O casal de judeus poloneses recém-chegados ao Brasil, Szaja e Chaja Mindla Szajman não sabia nada de português. Os dois foram acordados numa noite de 1940 e obrigados a sair de casa, com a roupa de dormir. Não tinham nem como perguntar o que estava acontecendo: Adhemar de Barros, interventor federal no Estado de São Paulo, tinha decidido que a rua em que os imigrantes moravam, no Bom Retiro, ia dar lugar à "Zona de confinamento das prostitutas". Juntamente com todos os moradores da rua, os pais do hoje empresário Abram Szajman estavam sendo despejados de surpresa, no meio da madrugada.

Recheado de casos como esse, que acabam retomando a história da cidade de São Paulo, o livro Alguns retalhos - Abram Szajman: A Construção De Um Homem e De Seu Legado, escrito pelo jornalista e editorialista do Estado, Jorge J. Okubaro, conta a trajetória do presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), cargo que Szajman ocupa desde 1984.

A carreira do empresário no comércio, como conta a obra que está sendo lançada hoje, às 18h30, na sede da Fecomércio (Rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista), começou bem antes. Aos dez anos de idade, Szajman começou a trabalhar como office-boy na loja de malhas de um tio, que havia migrado para o Brasil anos antes de seus pais. Aos dezoito anos, já era gerente. Quando o tio faleceu, assumiu o negócio e, poucos anos depois, montou sua própria loja.

O grande salto aconteceu nos anos 70. Convidado por um amigo, Szajman decidiu entrar em um ramo que ainda era novidade: o de vale-refeições. Foi quando a VR, mais tarde Grupo VR, nasceu. A empresa cresceu tanto que, em 2008, o empresário vendeu a divisão de vale-refeição e alimentação para a francesa Sodexo por R$ 1,03 bilhão.

Diversificação. Szajman tem no seu histórico a atuação em várias áreas de negócios. Chegou a ter 19% do antigo Mappin. Também foi o segundo maior acionista do Banco Real. Recentemente, com mais de 70 anos, o empresário decidiu se aventurar por um novo ramo: o imobiliário. Em 2010, quando o setor viveu um dos seus melhores momentos, Szajman comprou uma participação na Yuny Incorporadora. Também investiu R$ 60 milhões em um novo produto voltado para o mercado de meio de pagamentos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.