Os riscos da cirurgia plástica

Há uma grande diferença entre se fazer cirurgias plásticas reparadoras e puramente estéticas. "Como toda cirurgia, há perigo de choque anafilático, infartos, queda de pressão arterial e infecção hospitalar", diz o cirurgião plástico Walter Stefanelli. Segundo ele, a cirurgia plástica pode ser um procedimento "intrusivo" e fatal se o paciente fizer várias reparações numa só operação ou, ainda, se quiser extrapolar os limites: "há casos de pacientes que pedem a retirada de vários litros de gordura em uma lipoaspiração de uma vez só, o que é muito arriscado. O médico deve ter responsabilidade para recusar esse tipo de pedido", diz Stefanelli.A recomendação é a de que uma pessoa que se sujeita a este tipo de risco apenas para ficar mais bonita deve ponderar bem estes fatores. Mesmo porque muitos procedimentos, como a lipoaspiração, podem ter seus resultados revertidos se o paciente não tiver um estilo de vida controlado. "Pacientes que fazem cirurgias estéticas, como redução ou aumento de mama e lipoaspiração, devem tomar cuidado para manter o mesmo peso da época em que fizeram a cirurgia. Uma pessoa que faz lipoaspiração e, depois, engorda muito, corre o risco de ficar com ondulações no local operado", afirma o cirurgião.Erros médicosA Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica registra vários casos de erro médico. Em cirurgias de pálpebra, por exemplo, há situações em que se cortou pele demais dessa região do rosto, fazendo com que a paciente não conseguisse fechar totalmente os olhos. Má colocação de próteses de silicone, cicatrizes exageradamente grandes e lipoaspirações malfeitas são alguns dos problemas causados por negligência de maus profissionais. Além disso, a clínica deve ser bem-estruturada e ter condições de atender a eventualidades que possam ocorrer durante a cirurgia, como choques anafiláticos, infartos e queda de pressão arterial. O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Luiz Carlos Garcia, diz que acidentes podem ocorrer e, para evitar esse tipo de situação, é essencial fazer uma avaliação pré-operatória muito bem detalhada. "Além de consultar o cirurgião plástico, é bom passar por um cardiologista e um anestesista antes de marcar a operação."Veja, em outra matéria, as recomendações do Procon sobre os casos de negligência médica e o alerta em relação aos planos de saúde que estendem sua cobertura à cirurgia plástica estética.

Agencia Estado,

06 de novembro de 2000 | 13h13

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