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Os serviços desapontam, a inflação continua baixa

A pandemia aumentou a garimpagem por notícias positivas e é alto o risco com decepções que correm as Polianas

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2020 | 19h25

Atenção, otimistas. O santo continua sendo de barro, portanto, devagar com o andor.

Nesta sexta-feira, dois termômetros da economia recomendaram mais parcimônia com as emoções do que o manifestado com o princípio de entusiasmo ensaiado dias antes. Nesta pandemia, aumentou a garimpagem por notícias positivas e é alto o risco com decepções que correm as Polianas.

Os bons desempenhos da indústria e o do varejo sugeriam que se abria a temporada para a retomada. Mas, nesta sexta-feira, o indicador do setor de serviços (que corresponde a mais de 70% do PIB) puxou para a direção oposta.

Em maio, o faturamento com os serviços sofreu nova queda, desta vez de 0,9% em relação a abril, depois do recuo ainda maior no mês anterior, de 11,9%. Ou seja, ainda não está em andamento a recuperação do principal setor da economia.

A inflação (evolução do IPCA) no mês de junho também mostrou avanço de 0,26% depois de um recuo de 0,38% no mês anterior. Esse número não chegou a surpreender porque já havia indicações de que o consumo vinha aumentando mais depressa do que a reposição da oferta e porque a alta do petróleo levou a Petrobrás a reajustar para cima os preços dos combustíveis.

Mas, por esse lado, da inflação não se espera nenhuma surpresa ruim. A evolução dos preços deve continuar contida e fechar o ano em torno de 1,6%, bem abaixo da meta, que é de 4,0%, admitida a área de escape de 1,5 ponto porcentual, tanto para mais como para menos. Se for confirmada, a inflação anual dessa ordem no País será a mais baixa em muitos anos. 

São duas as consequências a considerar. Na área do desempenho do PIB se encontram as principais incertezas. O estrago no poder aquisitivo do consumidor continua elevado demais, apenas parcialmente compensado pela distribuição do auxílio emergencial. O desemprego não dá sinais de recuo e pode aumentar na medida em que se aproxima o fim dos acordos firmados entre as empresas e seus funcionários sobre a garantia de estabilidade e de redução da jornada de trabalho em troca de diminuição de até 75% do salário. Grande número de empresas está superendividado, mais perto da insolvência do que da recuperação. E a ociosidade do setor produtivo continua muito alta.

É um quadro que corrobora a expectativa de queda do PIB deste ano entre 6,5% e 7,0%, como apontam as projeções. Mas a decepção com os resultados do setor de serviços em maio e o tombo do PIB em 2020 não devem mudar a percepção de recuperação da economia neste segundo semestre. Só não está clara a velocidade com que virá.

A inflação mais alta em junho não coloca em risco novo recuo dos juros básicos (Selic), como está nos comunicados do Banco Central e como repete seu presidente. Como se trata de um corte de juros declaradamente “residual”, não deverá passar de um quarto de ponto porcentual, de 2,25% para 2,00% ao ano. A próxima reunião do Copom está marcada para 5 de agosto.

CONFIRA

» Segue a fase do touro

Em princípio, momentos de grande recessão, como nestes meses, são de bolsas afundando porque acompanham os resultados das empresas, também em retração. Mas desta vez há coisa nova nessa escrita. É impressionante o tamanho do despejo de moeda pelos governos e pelos bancos centrais. Os juros rastejam como cobras. Apesar das quebras da atividade econômica e das incertezas, o mercado de ações segue comemorando a boa fase do touro, o animal que ataca de baixo para cima.

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