Os transportes rumo à descarbonização
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Os transportes rumo à descarbonização

Veículos flex e híbridos são rotas seguras a favor da energia sustentável

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2021 | 08h00

O Brasil está bem posicionado quando o assunto é impulsionar com energia sustentável os vários tipos de sistemas de transporte. O otimismo no horizonte, como mostrou um dos debates do Summit Infraestrutura mediado por Renée Pereira, jornalista do Estadão, não significa que não existam muitos desafios, e avanços, que precisam ser enfrentados.

“Precisamos de respostas tecnológicas para alcançar esse objetivo. O mais inteligente é compor soluções e implementá-las com o que tivermos à disposição nas mãos”, afirma Evandro Gussi, diretor-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), entidade que representa as principais produtoras de açúcar, etanol e bioeletricidade do Centro-Sul do Brasil. Segundo o executivo, a descarbonização das cadeias produtivas é hoje um dos mais profundos desafios da humanidade e não há apenas uma rota. E, no caso do Brasil, uma das formas de avançar está em evolução há décadas.

“Os modelos flex são uma inovação nossa. A quantidade de etanol utilizado hoje é de 6,5% em relação à gasolina e esse número pode dobrar em pouco tempo com carros movidos a etanol e eletricidade.” O diretor-presidente da Unica chegou a ir mais longe: “O País tem a grande oportunidade de sofisticar a tecnologia que tem e exportar para o mundo”, disse Gussi.

Angela Oliveira da Costa, superintendente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), concorda que o Brasil está bem posicionado em termos mundiais por ter uma matriz elétrica renovável e abundância de recursos naturais. O norte a ser perseguido, como mostram as projeções dos próprios técnicos da EPE, é aumentar a participação dos veículos híbridos nas frotas nacionais. “A infraestrutura necessária vem sendo estudada e depende de políticas públicas [para ser implementada em maior escala]”, comentou.

Com a frota de veículos híbridos em crescimento, um dos gargalos do setor passa pela geração de energia limpa e pela infraestrutura para que ela possa chegar até os consumidores. Atualmente, o País tem 1,3 milhão de gigawatts à disposição em energias eólica e solar, de acordo com os dados apresentados pelo coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel/UFRJ), Nivalde José de Castro. “O cenário brasileiro é mesmo positivo. Temos condições de ser competitivos e atrair a indústria automobilística para implementar a transição energética. A mudança para a eletrificação será mais rápida e radical do que foi no passado com as outras matrizes, porque agora a sobrevivência da humanidade está em jogo.”

De acordo com Castro, o País tem recursos energéticos, mas não tem autonomia tecnológica, que terá de vir dos países mais desenvolvidos. “Também precisamos acompanhar a lógica das novas tecnologias. Numa primeira fase, veículos movidos a bateria elétrica vão prevalecer por algum tempo no transporte rodoviário. Até 2050 eles devem ser gradativamente substituídos pelo hidrogênio”, aposta o coordenador da Gesel/UFRJ.

 

Inovação impulsiona a sustentabilidade

Empresas buscam andar à frente das mudanças para agradar ao cliente

No setor de transportes e energia renováveis, o investimento em inovação está totalmente atrelado à qualidade dos serviços entregues para os clientes. No caso da Enel X, empresa global do setor de energia, a filosofia inovativa é central para os negócios do grupo. “Nosso foco está em criar ecossistemas de mobilidade para que o cliente tenha facilidade e eficiência para carregar seu veículo elétrico em qualquer parte do País. Hoje, a energia elétrica é o setor mais capilarizado, mais ainda que abastecimento de água encanada e comunicações. Então a fonte de energia elétrica renovável é muito mais econômica”, afirmou Paulo Maisonnave, head de Mobilidade Elétrica da Enel X. Para o executivo, o veículo elétrico é a grande solução do momento. “Não faz barulho, não polui, é mais agradável às grandes cidades. Mas ainda precisamos de maior impulso na oferta de ônibus movidos a eletricidade.”

Gustavo Bonini, diretor institucional de uma das maiores empresas de veículos comerciais do mundo, a Scania Latin America, também aposta nos biocombustíveis como aliados à eletrificação veicular. “Nosso país tem grande potencial nessa modalidade de energia graças à nossa capacidade agrícola. A Associação Brasileira do Biogás estima que temos biomassa suficiente para substituir 70% do diesel fóssil usado nos transportes.”

Em sua participação no Summit, Bonini contou que a Scania tem uma estratégia global de modularização, ou seja, produzir peças e tecnologias adequadas aos novos combustíveis para todos os países. Mais de 270 engenheiros trabalham em P&D em nível mundial. “A Scania já lidera globalmente estruturas de veículos a gás, por exemplo”, afirmou o executivo.

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