Oscar Freire, a atração chique

Comprador viaja até a rua do luxo

Vitor Hugo Brandalise, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

15 de dezembro de 2008 | 00h00

Eram quase 18 horas e o casal de médicos Mário Sérgio Basili e Cássia Furtado ainda nem havia almoçado. Viajaram 143 quilômetros - distância conferida no painel do carro - entre Taubaté, onde moram, e a Rua Oscar Freire, escolhida a dedo pelo casal para passar o domingo, pulando de loja em loja. "Nem vimos o tempo passar. Hoje vai ser daqueles dias de uma só refeição", diz Mário Sérgio, de 56 anos, sacola da Adidas na mão. "Ao menos os presentes já estão comprados."Eles vieram à capital em busca de brinquedos - têm muitos sobrinhos, todos esperando presentes dos tios. "Sabe como é. Resolvemos vir em busca de marcas que não encontramos no interior", explica Cássia, de 32 anos, que embalava a filha Marina, 9 meses, no Mercadinho Chic, esquina com a Rua Haddock Lobo. "Seguramos um pouco os gastos com os brinquedos e as roupas."A Oscar Freire, rua-símbolo do consumo na capital, após dois fins de semana "fracos", "que nem pareciam dezembro" - nas palavras de um vendedor - finalmente viu o mês do Natal chegar. "Ontem (sábado) foi o primeiro dia de movimento que nos lembrou o dos outros anos. Antes disso, estava um deserto", disse Milena Tunisi, gerente de uma loja de confecções femininas, que estima redução no faturamento de cerca de 20% em relação a dezembro do ano passado. "O comportamento do consumidor também mudou. Pesquisam mais, pechincham mais e estão comprando menos presentes.""Concordo que é melhor segurar nesses dias, mas Natal é Natal, não é? Não pode passar em branco", disse a bancária Flávia Paulisi, moradora de Mogi das Cruzes (48 quilômetros da capital), que também mirou a Oscar Freire para o domingo de compras. Em duas horas, entre 14h30 e 16h30, já não havia braços para pendurar mais sacolas. "Vou até o carro, guardar isso e já volto. Ainda faltam presentes para a sogra e a norinha", ela sorri, balançando as sacolas. A escolha já estava feita: R$ 5.290 em uma bolsa de couro e R$ 1.758 num cinto cravejado de strass.

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