Oscilações dominaram mercado financeiro nesta semana

A semana foi marcada por fortes oscilações no mercado financeiro. As incertezas em relação à economia norte-americana - inflação, rumo das taxas de juros e crescimento econômico - se acentuaram depois da divulgação de dados divergentes. O investidor migrou para ativos mais seguros. Mercados no mundo todos oscilaram. Para países emergentes, o estrago foi maior. No Brasil, o dólar comercial encerra a semana cotado a R$ 2,2400 na ponta de venda dos negócios, em queda de 2,35%. Durante a semana, o patamar mais alto foi alcançado na quarta-feira, dia 24, em R$ 2,4050 - trata-se da cotação mais alta também neste ano. A mínima da semana foi registrada hoje, em R$ 2,2370. Apesar da forte oscilação, a moeda norte-americana termina a semana com alta de 1,44%.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também oscilou muito nesta semana. A queda das ações se acentuaram também na quarta-feira, quando o Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - chegou ao patamar mínimo de 34.911 pontos. Para se ter uma idéia, na sexta-feira, o Ibovespa fechou em 37.732 pontos. A máxima do Índice veio hoje. A Bolsa fechou no patamar máximo do dia e da semana, em 38.629 pontos. Na semana, a Bolsa acumulou alta de 2,37%.Os juros futuros negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) oscilaram e os investidores sinalizaram que há muitas dúvidas em relação à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reavalia na próxima semana a Selic, a taxa básica de juros da economia, atualmente em 15,75% ao ano."Parcimônia"O mercado já aposta na redução de apenas 0,25 ponto porcentual ou até numa parada técnica nos cortes de juros na reunião do Copom da semana que vem. Para analistas, o Banco Central deve se apoiar ainda mais na "parcimônia" citada na ata da última reunião do Copom. "Se a volatilidade continuar e o dólar se mantiver no nível de R$ 2,35 até a reunião, acho que o Copom vai cortar só 0,25 ponto", diz Alexandre Maia, economista-chefe da Gap Asset Management. O economista Alexandre Póvoa, do Modal Asset Management, acredita que não é "nem um pouco desprezível" a hipótese de uma parada técnica. Para Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria Integrada, os motivos para a cautela do Copom na última reunião continuam presentes e até se exacerbaram - a alta do petróleo e os gastos fiscais de ano de eleição. Ela acha mais provável o BC cortar 0,5 ponto agora e parar na próxima reunião, caso a volatilidade se mantenha.NervosismoNos últimos anos, as taxas de juros dos EUA, UE e Japão permaneceram muito baixas. Com isso havia um "mar" de capital no mundo em busca de investimentos com maior retorno. Países como Brasil, México, Rússia e outros foram beneficiados por essa maré de liquidez (volume de negócios). Muitos investidores passaram a aplicar em emergentes, que dão retornos maiores.Contudo, a inflação dos EUA começa a dar mostras de que vai subir. Em abril, apenas o núcleo da inflação, que é o número expurgado dos preços dos alimentos e da energia, saltou 2,3% em 12 meses, muito acima dos padrões. Inflação ocorre quando os desequilíbrios da economia não são consertados a tempo.Um dos desequilíbrios nos Estados Unidos é o enorme déficit nas contas externas dos EUA, de US$ 700 bilhões, coisa de 7% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso significa que o consumidor está gastando mais do que ganha. Os preços sobem, a gasolina ficou muito mais cara, o valor dos imóveis está onde nunca esteve. Em vez de cortar despesas para ajustar seu orçamento, o americano está hipotecando imóveis para torrar o dinheiro no consumo.O fato é que, se a inflação subir, os juros norte-americanos terão de subir acima dos 5% ao ano, onde estão hoje, e poderão (ou não) pôr em marcha uma recessão. Se isso acontecer, o comércio será reduzido e a economia globalizada enfrentará uma paradeira. Além disso, os investimentos nos países ricos passam a ser mais atraentes do que em emergentes. Daí, espera-se uma reversão dos fluxos de capital. As contas externas do Brasil estão em melhores condições para enfrentar a eventualidade de um tranco. Mas algum estrago seria inevitável. O problemão é a dívida alta demais e essa enorme propensão do governo a gastar demais, que puxa os juros, a dívida, os juros.

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