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OSX culpa BNDES, Caixa e OGX por dificuldade

Empresa diz ter consumido R$ 1,85 bilhão de recursos próprios na construção de seu estaleiro em função da demora no repasse de R$ 2,7 bilhões em recursos

Mariana Durão e Vinícius Neder, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2013 | 02h15

A demora no repasse de financiamentos com recursos do Fundo de Marinha Mercante (FMM) e a inviabilidade econômica da petroleira OGX são apontadas pela OSX como as causas de suas dificuldades. No documento em que pede a recuperação judicial a OSX diz ter consumido R$ 1,85 bilhão de recursos próprios na construção de seu estaleiro em função da demora no repasse de R$ 2,7 bilhões em recursos do FMM.

Os empréstimos foram feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Caixa, agentes repassadores do FMM. Segundo a petição inicial, apenas R$ 627 milhões dos R$ 2,7 bilhões foram repassados, o que fez com que a OSX Construção Naval comprometesse parcela significativa de seu caixa: "O fluxo de repasse do financiamento concedido pelo FMM não se coadunou com as necessidades da implementação do projeto".

O documento destaca que a empresa "se viu impedida de pagar seus fornecedores e, em consequência, completar a obra da Unidade de Construção Naval Açu, sendo que o atraso da obra, por sua vez, frustrou a contratação de novas encomendas (...)".

Na lista de credores da OSX, entretanto, consta dívida de R$ 555 milhões com o BNDES, garantida por fiança do Banco Votorantim. É parte do financiamento de longo prazo de R$ 1,3 bilhões aprovado em 2012. No caso da Caixa, os financiamentos registrados no balanço da OSX somam R$ 1,1bilhão. Em abril de 2012, a OSX recebeu cerca de R$ 400 milhões em empréstimo-ponte, garantido por fiança do Santander e prorrogado por 12 meses, até outubro de 2014.

Além da falta de financiamento, a OSX destaca os reflexos dos problemas enfrentados pela petroleira OGX. Ressalta que, inicialmente, o plano de negócios de sua cliente exclusiva previa a construção de 48 unidades em dez anos, no valor de US$ 30 bilhões. Com a campanha exploratória frustrada, a petroleira cancelou a encomenda de plataformas já contratadas e solicitou a renegociação de outras.

A OGX também incluiu justificativas para sua crise no pedido de recuperação. Além dos problemas nos campos de Tubarão Azul, Areia, Tigre e Gato, a empresa menciona o fato de a malaia Petronas não ter desembolsado o montante previsto na compra de 40% de dois blocos no campo de Tubarão Martelo, o que deve gerar um processo arbitral.

Após serem suspensas na segunda-feira as ações da OSX dispararam 19,61% no pregão de ontem, a R$ 0,61. A negociação do papel foi retomada após a empresa ter entrado com pedido de recuperação judicial.

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