‘Otimismo cauteloso’ move governo brasileiro

Atenção está nas eventuais oportunidades com o passo atrás dos EUA na TPP

Fernando Nakagawa, Impresso

30 de janeiro de 2017 | 05h00

BRASÍLIA - O governo tem demonstrado “otimismo cauteloso” com eventuais oportunidades surgidas após o passo atrás dos EUA nas negociações para a Parceria Transpacífico (TPP). Com o aumento do espaço para acordos bilaterais e inter-regionais, a negociação entre Mercosul e União Europeia pode ser acelerada e autoridades brasileiras citam que o calendário possa até ser adiantado “em alguns meses”. Há, ainda, iniciativas como a abertura de audiência pública para mapear temas em eventual acordo de comércio com Japão e Coreia do Sul.

A surpresa inicial vista em Brasília com a decisão de Donald Trump de deixar as negociações para o TPP foi substituída por análises otimistas, mas sem euforia. “Devemos ter a intensificação do movimento que já vinha sendo vivo pelo Brasil”, diz uma autoridade brasileira diretamente envolvida nas negociações internacionais.

Entre os diplomatas, prevalece a percepção de que o governo Trump deve fechar ainda mais o espaço para as negociações na Organização Mundial do Comércio. Assim, é consolidada a perspectiva de que países e blocos deverão apostar fichas nos acordos bilaterais e inter-regionais. Há, inclusive, expectativa de que o próprio governo Trump deverá concentrar esforços em acordos bilaterais.

Nesse cenário, o governo brasileiro acredita que será possível acelerar negociações em curso. “A União Europeia terá mais espaço e disponibilidade para acelerar as conversas com o Mercosul”, diz um diplomata brasileiro. Autoridades europeias, inclusive, já sinalizaram o interesse em acelerar o ritmo da aproximação com o bloco sul-americano.

O governo avalia que, após as eleições na Alemanha e na França, será possível, a partir de outubro, ter mais clareza sobre quando um acordo entre os blocos poderá ser assinado. Por ora, o início de 2018 segue como horizonte mais provável. /F.N.

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