Otimismo com crédito deveria ser cauteloso

Entre os dois primeiros meses de 2017 e de 2018, as concessões de crédito para pessoas físicas aumentaram 15,1% e para as pessoas jurídicas, 12,8%

O Estado de S.Paulo

04 Abril 2018 | 03h00

Economistas das áreas pública e privada deram ênfase aos sinais de melhora da oferta de crédito no primeiro bimestre de 2018, em especial no tocante às concessões (novos empréstimos). De fato, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central, as concessões aumentaram 14,1% entre os primeiros bimestres de 2017 e de 2018, enquanto o estoque de empréstimos continuou caindo.

Entre os dois primeiros meses de 2017 e de 2018, as concessões de crédito para pessoas físicas aumentaram 15,1% e para as pessoas jurídicas, 12,8%. A novidade é que empresas voltaram a tomar crédito a partir de outubro de 2017. O boletim Análise Iedi do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) notou que “essa evolução favorável do conjunto do crédito corporativo poderá desafogar financeiramente muitas empresas em dificuldade, favorecendo uma retomada mais rápida dos projetos de investimento”.

A relação entre o crédito total e o Produto Interno Bruto (PIB) atingiu seu nível mais alto na primeira metade da década (cerca de 59%) e passou a cair. Chegou a 46,4% em fevereiro de 2018, 2,2 pontos porcentuais menos do que em fevereiro de 2017. Entre janeiro e fevereiro de 2018, o saldo total de empréstimos diminuiu R$ 6 bilhões e atingiu R$ 3,061 trilhões.

Agora, os bancos voltam a oferecer crédito, segundo reportagem recente do Estado. O esforço poderá ser, em parte, bem-sucedido. O problema é saber a qualidade da demanda, pois algumas linhas de custo elevado ainda são muito procuradas. Por exemplo, as pessoas físicas aumentaram o endividamento em cheque especial em 2,7% entre janeiro e fevereiro e em 15% entre os primeiros bimestres de 2017 e de 2018. No caso das pessoas jurídicas, o endividamento por cheque especial caiu em fevereiro, mas cresceu 4,5% entre os primeiros bimestres de 2017 e de 2018.

O alto custo dos empréstimos em geral tem a ver com tributos, inadimplência, spreads altos (diferença entre o custo de aplicação e o custo de captação), mas também com os estímulos exagerados ao crédito vistos na era petista.

Se um novo ciclo de crédito estiver começando, será melhor que não seja eufórico e se baseie em juros módicos. Não há, por ora, elementos para afirmar que o crédito logo recuperará seu papel essencial na retomada econômica.

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