Otimismo com Grécia teve fôlego curto

Segundo o 'WSJ', cálculo feito pelos credores do país apontam que a dívida não vai conseguir atingir a meta acertada

BRUXELAS, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h07

O otimismo com o fechamento de um acordo entre os ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre uma nova meta para a dívida da Grécia durou pouco. Cálculos feitos pelos credores do país apontam que a dívida grega deve atingir 126,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, acima da nova meta de 124%, anunciada na madrugada de ontem.

A informação consta de um documento visto pelo Wall Street Journal. Até 2022, a dívida cairia para 115% do PIB, também acima da meta definida como "substancialmente abaixo de 110%".

Os cálculos, feitos por inspetores da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), mostram quanto a dívida precisará ser reduzida com novas medidas que ainda vão ser definidas. Essas medidas devem ser adotadas no futuro e estão condicionadas à implementação, pelo governo grego, dos programas combinados com os credores internacionais.

No comunicado divulgado ontem, o Eurogrupo disse que está pronto para adotar novas medidas para reduzir a dívida grega para 124% do PIB até 2020 e para menos de 110% até 2022, além de reduzir ainda mais as taxas de juros cobradas nos empréstimos destinados ao país. Mas essas medidas dependem da Grécia conseguir um superávit primário e implementar cortes de gastos e reformas estruturais.

Mesmo a projeção de uma dívida a 126,6% do PIB em 2020 depende de um bem-sucedido programa de recompra de bônus que estão com investidores privados, com um desconto em relação ao valor de face.

Negociações. Além de prever uma redução de 40 bilhões da dívida grega, ou 124% do PIB até 2020, o acordo inclui a extensão dos vencimentos dos empréstimos internacionais, o corte nas taxas de juros que o governo grego está pagando sobre esses empréstimos e a recompra de dívida. Com o acordo, fica aberto o caminho para que seja aprovado o desembolso da próxima parcela de ajuda à Grécia, de 43,7 bilhões. Uma primeira parte desse montante, de 34,4 bilhões, será paga em dezembro, sendo 10,6 bilhões para financiamento orçamentário e 23,8 bilhões em bônus do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef) destinados à recapitalização dos bancos gregos.

Com os olhos cansados, o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, saudou o acordo. "Tudo correu bem", disse Samaras a repórteres do lado de fora da sua residência por volta das 3 horas da manhã de ontem. "Amanhã, um novo dia começa para todos os gregos", acrescentou.

Já o principal partido de oposição, o Syriza, rejeitou o acordo por completo, dizendo que ficou aquém do que era necessário para que a dívida do país ficasse sustentável. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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