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Otimismo com o País favorece emissões

Bancos acreditam em mais operações nas próximas semanas

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

A reabertura do mercado internacional para captações de empresas brasileiras é explicada pelos mesmos fatores que impulsionaram o real e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nas últimas semanas. Em primeiro lugar, a melhora do ambiente externo. Em segundo, as condições consideradas "especiais" do Brasil e das empresas nacionais. "Parece haver um consenso de que a questão bancária americana está encaminhada, o que reduz o medo dos investidores do risco", diz o estrategista do Banco WestLB do Brasil, Roberto Padovani. "O mercado está com todo o apetite do mundo", diz um diretor de banco estrangeiro que pediu para não ser identificado. Padovani explica que o plano do secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, para salvar o setor financeiro interrompeu uma espiral negativa, na qual as instituições não concediam empréstimos, o que alimentava a inadimplência que, por sua vez, machucava ainda mais os balanços dos bancos. Com o caminho lá fora aberto, ativos brasileiros ganham terreno em relação aos de outros países por causa de algumas condições relativamente melhores. "O Brasil é uma economia grande, vem de 15 anos de políticas responsáveis, está bem posicionado no mercado de commodities - onde há certo otimismo, por causa da China - e tem indústria bancária sólida", resume Padovani. O diretor de Operações Estruturadas do Santander, Jean Pierre Dupui, lembra que empresas brasileiras que captaram recursos nas últimas semanas pagaram comparativamente menos do que concorrentes da Rússia e do México. Mas, como o mercado ainda está muito volátil, os especialistas observam que as boas condições das últimas semanas podem ser revertidas. "O mercado está aí, mas vamos ser claros: não se pode achar que o negócio (crise) acabou", pondera o diretor do Banco UBS Pactual Rodolfo Riechert. Essa é uma das razões que devem levar ao aumento substancial da quantidade de emissões nas próximas semanas. É o que se chama, no mercado, de janela de oportunidade. Por isso, o dia a dia dos bancos de investimento está movimentado como não se via há um bom tempo. "Vários clientes estão ligando e nós também temos procurado avisá-los das boas oportunidades, não apenas na área de emissão de dívida", afirma o copresidente do Goldman Sachs no Brasil, Daniel Wainstein. Riechert observa que o mercado interno para emissões de bônus também vem apresentando sinais de recuperação, o que dá às empresas mais uma opção de financiamento. "Nas condições atuais, captar no mercado externo fica mais caro. Em compensação, os prazos são maiores", afirma. "Aqui, o custo e prazo são menores." No mercado internacional, as operações têm variado de cinco a dez anos. No Brasil, têm ficado ao redor de três anos. Portanto, diz Riechert, a escolha depende do cliente. O vice-presidente do Bradesco, José Guilherme Lembi de Faria, confirma a melhora das condições do mercado internacional, mas pondera que os investidores ainda estão muito seletivos. Ou seja, cobram relativamente caro e só aceitam papéis de empresas de primeira linha. "Emitir lá fora neste momento vale mais a pena para empresas com parte relevante das receitas obtida no exterior, pois tomar dinheiro em dólar e fazer hedge (operação de proteção contra variação cambial) custa mais caro do que levantar o dinheiro aqui", explica. Esse é exatamente o caso da Construtora Odebrecht, que em abril captou US$ 200 milhões lá fora. "70% do nosso faturamento vem das operações internacionais", explica o diretor financeiro, Paulo Cesena. "Temos hedge natural."FRASERoberto PadovaniEstrategista do Banco WestLB do Brasil "O Brasil é uma economia grande, vem de 15 anos de políticas responsáveis, está bem posicionado no mercado de commodities - onde há certo otimismo, por causa da China - e tem indústria bancária sólida"

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