Otimismo continua e Bovespa retoma 63 mil pontos

Ganhos no principal índice da Bolsa doméstica foram, no entanto, limitados pelas perdas em Wall Street

Claudia Violante, da Agência Estado,

02 de abril de 2008 | 17h43

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve mais um dia de ganhos - reflexo do otimismo que chegou ao mercado financeiro na terça-feira, 1º, dos indicadores favoráveis divulgados nos Estados Unidos e também do discurso tranqüilizador do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, ao Congresso do país.   Veja também: Bernanke diz que economia se recupera, mas admite recessão Perdas de bancos com crise nos EUA já superam US$ 140 bi As grandes crises econômicas  Cronologia da crise financeira  Entenda a crise nos Estados Unidos   O sobe e desce do dólar  Veja os efeitos da desvalorização do dólar    A Bovespa retomou o patamar de 63 mil pontos, registrado pela última vez em 4 de março (63.655,5 pontos), e atingiu o maior nível desde o dia 5 de março (64.629,5 pontos). O Ibovespa fechou com elevação de 0,94%, aos 63.364,4 pontos. Na máxima, alcançou 63.816 pontos, em alta de 1,66%. Na mínima, registrou estabilidade em relação ao fechamento de ontem, aos 62.775 pontos. O volume financeiro atingiu R$ 5,777 bilhões (preliminar).   Os ganhos no principal índice da Bolsa doméstica foram, no entanto, limitados pelas perdas em Wall Street, decorrentes de uma realização de lucros motivada pelos ganhos de mais de 3% de ontem nos três índices. O Dow Jones recuou 0,36%, o Nasdaq teve baixa de 0,06% e o S&P registrou queda de 0,19%.   Bernanke admite crise   Logo cedo, as bolsas subiram na esteira dos dados divulgados pela Automatic Data Processing Inc. (ADP) e a consultoria Macroeconomic Advisers, que anunciaram criação de 8 mil vagas pelo setor privado em março, ante previsão de corte de 70 mil vagas. Este indicador é observado atentamente pelo mercado por dar indícios de como pode vir o payroll - o relatório oficial que sai na sexta-feira. O balanço da varejista de eletrônicos Best Buy também foi bom, já que o lucro por ação subiu para US$ 1,71 no quarto trimestre fiscal.   A Bolsa titubeou quando, no seu depoimento, Bernanke assumiu, pela primeira vez, que a economia norte-americana deve ter contração no primeiro semestre. Mas não houve pânico, já que, apesar dessa possibilidade, ele crê que o PIB está crescendo lentamente e emendou com a previsão de que no segundo semestre mostrará uma recuperação mais firme, principalmente por causa dos efeitos das medidas fiscais tomadas pelo governo dos Estados Unidos no início do ano.   Bernanke também agradou ao afirmar que o Fed tem sido criativo e ainda tem ferramentas de política monetária se for necessário usar. "Temos sido criativos até agora e eu não irei hesitar se achar que precisamos de assistência do Congresso", disse ele.   O desempenho do petróleo, no entanto pesou, já que os contratos para maio negociados na Nymex subiram 3,81%, para US$ 104,83 o barril, porque houve queda nas reservas. Mas isso favoreceu a Bovespa, ao impactar diretamente as ações da Petrobras, que tiveram alta firme e ajudaram a sustentar o índice. As ON subiram 2,40% e as PN, 2,65%.   Já as ações da Vale encerraram em queda, após sete altas seguidas. Como pretexto para a realização de lucros, os investidores justificaram os rumores de que a mineradora estaria, de novo, mantendo negociações com a Xstrata e com outras empresas. Os metais, no exterior, fecharam sem um sentido único.

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