Otimismo do mercado já preocupa o governo

Ontem membros graduados da equipe econômica fizeram algumas declarações que deveriam conter o otimismo do mercado. Mas a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) segue em alta e o dólar voltou a cair, chegando a R$ 2,48. Muitos analistas já se perguntam se a euforia dos investidores não passou dos limites.O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, anunciou que a inflação continuará pressionada em 2002, devido aos reajustes de eletricidade em discussão para compensar as empresas do setor elétrico pelas perdas causadas neste ano de racionamento. A queda do dólar e dos preços internacionais do petróleo não devem ser suficientes para conter a elevação das tarifas, dificultando o cumprimento da meta, que é de 3,5% de inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com tolerância de mais ou menos dois pontos porcentuais.Além das justificativas de Fraga, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, anunciou que o governo perseguirá a meta de inflação obstinadamente. Para quem previa uma redução da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia, no curto prazo, é uma má notícia. Um corte na Selic tenderia a baratear o crédito, estimulando o consumo, o que normalmente pressiona a inflação. Por isso, a mensagem foi clara, mas não chegou a abalar o otimismo dos investidores. O fato é que ainda há sinais positivos, apesar da cautela do governo. Os resultados das contas externas divulgados ontem agradaram, especialmente quanto aos investimentos diretos estrangeiros, que devem ficar em US$ 19 bilhões para esse ano, ligeiramente acima do esperado. E a marca foi atingida mesmo sem entradas referentes a privatizações. E as expectativas em relação à Argentina melhoraram ligeiramente, embora seja um movimento circunstancial, não o resultado de uma mudança de avaliação. A situação financeira do país está por um fio e as apostas ainda são de que deve haver uma ruptura traumática no ano que vem, com efeito negativo para o Brasil. Mas, por ora, crescem as esperanças de que o governo receba os US$ 1,26 bilhões referentes à última parcela do ano do empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI). A União, que não cumpriu as metas acordadas, terá de desembolsar até US$ 2,7 bilhões até o final de 2001 e conta com o dinheiro do Fundo para não quebrar imediatamente.Outro fator de preocupação é a recessão nos Estados Unidos. Dados mostram que ela começou em março, sendo agravada pelos atentados terroristas em setembro. E, embora haja indicações otimistas de consumo durante o feriado de Ação de Graças na semana passada, a queda da economia está maior que o esperado. Analistas já falam em novo corte do juro básico, que passaria de 2% a 1,75% ao ano na próxima reunião do Fed - banco central norte-americano -, em 11 de dezembro.Frente a tantas incertezas, a mensagem da equipe econômica parece ser de alívio com o fim do pessimismo cético que dominou a maior parte do ano, mas também de cautela. Talvez seja um lembrete de que ainda é cedo para que a euforia tome conta dos mercados.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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