Otimismo do mercado pode estar arrefecendo

A euforia dos investidores, que vem dominando os mercados desde meados de outubro, parece ter se esgotado. As cotações encontram-se em patamares mais otimistas do que há alguns meses, mas os motivos que propiciaram essa mudança, ou seja, a melhora percebida no cenário, não têm sido capazes para sustentar a tendência. Nos últimos dias, as altas e baixas dos mercados têm se anulado e as perspectivas econômicas são de estabilidade. As taxas de juros não devem ser alteradas nos próximos meses por causa da meta apertada para a inflação e o crescimento econômico não deve superar os 3% em 2002, imprimindo um ritmo lento às altas no mercado acionário. E, no mercado de câmbio, não se espera que a forte entrada de recursos do mês de novembro se repita com tanta intensidade. Assim, a taxa de equilíbrio pode acabar ficando em um nível mais alto que o atual. Além disso, há uma forte concentração de vencimentos de títulos cambiais de curto prazo no primeiro semestre do ano que vem. A sucessão presidencial e os embates da campanha podem preocupar os investidores, pressionando as cotações da moeda norte-americana, especialmente com a rolagem desses títulos. Por isso, o Banco Central tenta antecipar amanhã a troca de papéis por outros com vencimento em 2005 e 2006. E o governo anunciou ontem que interromperá, conforme previsto, as vendas diárias de US$ 50 milhões no câmbio. Essas duas medidas já provocaram leve alta nas cotações do dólar. Cenário internacional exige cautela A recessão mundial não ajuda, e os últimos dados divulgados essa semana sobre a economia do Japão e dos Estados Unidos indicam desaceleração maior que a esperada. O mesmo ocorre na Europa. E, para o Brasil, ainda há a preocupação com a Argentina. Se o país entrar em colapso econômico, como prevêem muitos analistas, os efeitos podem ser sentidos aqui. Hoje o país enfrenta uma greve geral, com forte movimentação de setores da sociedade para a renúncia do presidente Fernando de la Rúa e do ministro da Economia, Domingo Cavallo. A crise política é grande, com movimentações importantes da oposição, que controla a Câmara e o Senado - por tabela, a Vice-Presidência, que está vaga - e com figuras-chave, como o ex-presidente Carlos Menem. A situação financeira do país também é desastrosa, sendo que as últimas medidas do governo estão aprofundando a recessão. Fechamento dos mercados O dólar comercial para venda fechou em R$ 2,3740, com alta de 0,13%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 20,350% ao ano, frente a 20,380% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 3,05%. O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires operava em alta de 4,40%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,30%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 3,23%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

13 Dezembro 2001 | 18h29

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