Otimismo do mercado surpreende

Ontem o dólar voltou a cair, chegando a R$ 2,5320 e alguns analistas já advertem sobre os riscos de uma queda abaixo de R$ 2,50. Mas a forte recuperação das cotações dos ativos no mercado brasileiro pode estar chegando ao fim. Realmente, o pessimismo na Argentina não está afetando os negócios aqui. Mas a indiferença dos investidores pela crise argentina pode acabar se (ou quando) o país entrar em colapso. Conforme o tempo passa e a crise não é revertida, as chances de uma ruptura traumática crescem.Há vários motivos para que o mercado assuma uma postura mais cautelosa a partir de agora. A recuperação observada recentemente foi importante, demonstrando que o pânico com a Argentina e com os ataques terroristas nos Estados Unidos passou. Existe um forte componente emocional nas oscilações do mercado - tanto pessimistas como otimistas - e, ao menos no curto prazo, este é um momento de reversão. Mesmo assim, do ponto de vista da economia real, as contas do governo continuam equilibradas, a crise energética está próxima de uma solução sem ter causado nenhuma calamidade, e as contas externas melhoraram. Também no front externo, a guerra norte-americana não tem tido os efeitos dramáticos que se temiam.O problema é que um dos combustíveis do otimismo dos mercados, a melhora nas contas externas, deveu-se à desvalorização do real. Uma queda ainda maior pode alterar esse quadro. E a guerra no Afeganistão, como todo conflito dessa dimensão, traz muitos riscos. Mas a principal fonte de incertezas é a Argentina. O país vem conseguindo empurrar a crise com a barriga por pelo menos um ano, mas, sem solução à vista, isso pode mudar, e de maneira traumática.Situação argentina é desesperadoraProva disso é que o presidente Fernando de la Rúa viajou ontem para os Estados Unidos para pedir socorro sem conseguir assinar o acordo de redução dos repasses de verbas para as províncias com os 14 governadores da oposição (de um total de 24). O documento inclui compromisso de todas as esferas de governo com o déficit zero, mas as principais províncias ficaram de fora. Além disso, a oposição ainda conseguiu aprovar projeto de lei que transfere parte da arrecadação do imposto do cheque para as províncias. Sem poder oferecer garantias a credores internacionais, governo norte-americano e Fundo Monetário Internacional (FMI), De la Rúa pode voltar a Buenos Aires de mãos vazias. Seu único argumento é que se a Argentina quebrar, todos perderão mais.O risco não é blefe. O governo federal precisa desesperadamente de um adiantamento dos US$ 1,6 bilhão referente à parcela de dezembro do acordo com o FMI para poder honrar obrigações ainda nesse ano. E precisa renegociar a dívida externa com seus credores internacionais - impondo-lhes grandes perdas - para ter alguma chance de manter o déficit zero em 2002. Mas, sem garantias, os credores e o FMI podem preferir limitar o prejuízo à marca atual a arriscar mais recursos. Mesmo porque o que o governo argentino oferece como estratégia é mais do mesmo - que não está funcionando.Enquanto isso, reservas internacionais e depósitos bancários estão diminuindo rapidamente e em breve chegarão ao limite. A confiança do consumidor, assim como do investidor, continua em queda, aumentando os riscos de um colapso. Sem ajuda internacional, ele não demorará. Mas apenas a ajuda externa não será suficiente para resolver a crise.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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