Otimismo na indústria, mesmo com ritmo menor

A Sondagem da Indústria de Transformação, da Fundação Getúlio Vargas, apontou uma queda de 1,5% de junho a julho. No entanto, no mesmo dia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou sua própria sondagem. Longe de indicar queda da produção industrial, ela apenas revela redução do ritmo de crescimento. Mesmo admitindo estabilidade, depois de um primeiro trimestre superaquecido, não estamos à beira de uma recessão.

, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

Existem diversos meios para avaliar a situação do setor industrial: analisar a evolução do volume da produção, verificar a utilização da capacidade de produção (UCI), avaliar os estoques. Nos três casos, o relatório da CNI mostra resultados positivos. O crescimento da produção física constata-se em todos os setores, apenas se nota que as pequenas empresas enfrentam maiores dificuldades e que o crescimento é mais concentrado do que no primeiro trimestre, quando foi generalizado. Isso tem, certamente, algo que ver com o aumento da importação de componentes.

O UCI de 75% no segundo trimestre ficou um pouco abaixo do nível esperado para o mês de junho. Deve-se interpretar com cuidado esse dado, pois uma porcentagem menor do que se esperava pode ser fruto de investimentos maiores, o que parece ter ocorrido, levando em conta a forte elevação do faturamento da indústria brasileira de máquinas (Abimaq) e o forte aumento das importações de bens de capital.

Fato importante, os estoques ficaram de acordo com o planejado pelo setor, o que indica que a demanda foi normal, sem deixar estoques acima do desejável pela indústria, que considera que não terá problemas para atender a um eventual novo surto da demanda.

É importante verificar que a indústria continua a considerar que as perspectivas são favoráveis, tanto para a demanda doméstica, que todas as decisões dos últimos meses fazem prever como crescentes, quanto para as exportações.

A indústria está se preparando para responder à demanda criada pelos investimentos públicos, embora se mostre prudente no que se refere à possibilidade de serem todos realizados como planejado.

É interessante apontar quais são os principais problemas que a indústria enfrenta; em primeiro lugar, é a elevada carga tributária e, em segundo lugar, a competição acirrada que tem origem na importação. A falta de trabalhadores qualificados é a terceira preocupação dos empresários, que continuam otimistas para os próximos meses.

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