Otimismo no mercado continua; Bolsa bate recorde

A reação positiva dos investidores com a perspectiva de uma emissão de títulos da dívida brasileira cotados em reais continua nesta sexta-feira. Esta emissão foi anunciada ontem pelo governo e tem o objetivo de melhorar o perfil de sua dívida, reduzindo ainda mais a porcentagem que é corrigida em dólares, e diminuir a exposição ao risco por desvalorização cambial.Hoje, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em forte alta e o dólar mantém a tendência de queda. A taxa de risco Brasil - que mede a desconfiança do investidor estrangeiro em relação à capacidade de pagamento da dívida do País - está em baixa desde o início do dia. A Bovespa chegou a alcançar o maior nível, em pontos, da sua história, superando o recorde anterior registrado no dia 7 de março deste ano, de 29.584 pontos. Estimulada pela farta liquidez internacional (volume de negócios) e também pela percepção positiva em relação ao desempenho da economia brasileira, a Bovespa conseguiu chegar até os 29.702 pontos, alta de 1,14%, diminuindo, neste ponto, para apenas 1% a distância que a separa dos tão sonhados 30 mil pontos.O bom desempenho do mercado acionário norte-americano ajudou a abrir espaço para que a Bolsa atingisse as máximas históricas. A queda de mais de 1% do preço do petróleo está ajudando a manter as bolsas no terreno positivo, apesar da confiança do consumidor norte-americano, medida pela Universidade de Michigan, ter caído mais do que o esperado.Emissão Fontes do governo informaram à Agência Estado que a operação de emissão no mercado internacional de títulos denominados em reais não começa hoje, apesar dos crescentes rumores no mercado esta manhã. Segundo a fonte, não é de praxe fazer operações internacionais numa sexta-feira, mas disse que a operação é para "breve".A divulgação hoje de comunicado do Tesouro Nacional informando ter concedido mandato ao Banco Itaú para atuar como co-manager é mais uma etapa de preparação para a operação. Segundo essa mesma fonte, o Itaú terá um papel de menor destaque na operação. A expectativa é de demanda elevada nessa emissão em reais.Sucesso nas operaçõesNos últimos meses, o Governo fez bem-sucedidas emissões de dívida externa para captar os US$ 6 bilhões que precisa para atender suas obrigações financeiras neste ano e em parte do próximo, mas todas com títulos, principalmente, em dólares, além de algumas em euros e ienes.O Tesouro Nacional recebeu do Conselho Monetário Nacional (CMN) a autorização para fazer emissões em reais no final do ano passado. Desde então, algumas empresas colocaram títulos no exterior em moeda nacional.A primeira captação aconteceu em novembro de 2004 pelo banco Votorantim, que captou na época R$ 50 milhões com papéis a 18 meses, e taxa de juros de 18,3% anual. Um mês depois, o Banco do Brasil captou R$ 200 milhões com papéis a três anos, e taxa de juros de 17,25% anual. Os bancos Bradesco, Unibanco e ABN Amro Bank também fizeram emissões semelhantes.Em seu último lançamento no mercado internacional, há apenas nove dias, o Governo captou US$ 1 bilhão com uma oferta do título Global 2025, para vinte anos e com juros de 8,75% ao ano, na primeira emissão para captar os US$ 9 bilhões que o país precisará para atender suas obrigações financeiras em 2006 e 2007.

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