FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
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Otimismo no mercado internacional faz dólar recuar a R$ 3,87; Bolsa sobe 0,67%

Ambiente externo positivo reflete a diminuição dos temores de desaceleração da economia global

Antonio Perez, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2019 | 16h18
Atualizado 01 de abril de 2019 | 18h00

A melhora de humor no exterior, com dados positivos de China e Estados Unidos, e a ausência de notícias negativas no âmbito doméstico, sobretudo no que diz respeito à reforma da Previdência, abriram espaço para que os investidores tomassem riscos aqui e também lá fora.

Com isso, a Bolsa iniciou a semana em valorização de 0,67%, aos 96.054,45 pontos. Já o dólar, depois de subir mais de 4% em março, passou o pregão inteiro em queda diante do real, até terminar com desvalorização de 1,06%, a R$ 3,8746 no mercado à vista.

O clima positivo começou com indicadores da indústria chinesa conhecidos já no fim de semana, o que garantiu o avanço expressivo de Vale e siderúrgicas no Brasil. Além disso, hoje, nos Estados Unidos, um índice de atividade industrial também veio acima do esperado e reforçou o otimismo espelhado nos ativos. Por fim, também permearam os negócios a expectativa sobre um possível acordo comercial entre China e EUA, com negociações que devem ocorrer nessa semana.

Dólar

A ausência de ruídos sobre a reforma da Previdência após a pacificação no relacionamento entre o governo Jair Bolsonaro e o Congresso abriram espaço para que o real se beneficiasse do ambiente externo de apetite ao risco nesta segunda-feira. Em meio a uma perda de força generalizada da moeda americana na comparação com divisas emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano, o dólar encerrou a primeira sessão de abril em queda de 1,06%, cotado a R$ 3,8746, após ter acumulado alta de 4,33% em março.

Segundo Thiago Silêncio, operador de câmbio da CM Capital Markets, sem novidades sobre a reforma da previdência, o rumo do dólar foi ditado hoje pelo ambiente externo. Dados positivos da indústria chinesa amenizaram as preocupações com uma eventual desaceleração da economia mundial, o que despertou um apetite por ativos de risco. Também contribuiu para o ambiente benigno no exterior a expectativa de avanço nas negociações comerciais entre China e Estados Unidos, já que autoridades chinesas visitaram Washington nesta quarta-feira.

"O mercado ficou olhando muito para lá fora hoje. A verdade é que havia uma 'gordura' no câmbio e os investidores aproveitaram o clima favorável no exterior para se desfazer de parte de posições defensivas", diz Silêncio, ressaltando, contudo, que qualquer sinal de dificuldade no andamento da reforma da previdência no Congresso ou de que haverá desidratação acentuada do texto-base poderá estressar o mercado.

Segundo operadores, o mercado tende a trabalhar nesta terça-feira, 2, em compasso de espera pela audiência do ministro da economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na quarta-feira, dia 3, que deve fornecer pistas sobre o quão a reforma será bombardeada na Câmara. Apesar da postura errática do governo Bolsonaro, já, pelo menos, uma calendário para o andamento do texto na CCJ. Está prevista para o dia 9 de abril a entrega do parecer do relatório da PEC da Previdência na Comissão, deputado Marcelo Freitas. Já admissibilidade da proposta deve ser votada no dia 17.

Bolsa

O Índice Bovespa iniciou abril dando continuidade ao movimento de recuperação iniciado na semana passada. Para isso, contou em boa parte com a redução dos temores de desaceleração da economia global e a continuidade da trégua acenada na semana passada entre Executivo e Legislativo.

A terceira alta consecutiva da Bolsa foi amparada principalmente pelas ações de mineração e siderurgia, que acompanharam o avanço dos preços do minério de ferro, depois que a China anunciou dados positivos da indústria em março. Ao final do pregão, Vale ON avançou 3,28%. Entre as siderúrgicas, destaque para Gerdau PN (+6,21%), CSN ON (+4,12%) e Usiminas PNA (+1,79%).

Em contrapartida, os papéis da Petrobrás não tiveram fôlego para acompanhar a alta do petróleo, em um ambiente de desconforto com questões específicas da empresa. Segundo operadores, pesaram informações do relatório 20-F, em que a empresa afirma não estar segura de quando e em quais condições a discussão da cessão onerosa com o governo será concluída. Além disso, a possibilidade de participação da Petrobrás em um leilão de óleo e gás em Israel foi vista como um fator que se contrapõe ao plano de desinvestimento da companhia. Petrobrás ON e PN terminaram o dia com perdas de 0,90% e 0,21%.

Para o professor do Grupo de Economia da Energia da UFRJ (GEE/UFRJ) e ex-diretor da ANP, Helder Queiroz, Israel ocupa posição irrelevante no mercado mundial de petróleo e gás natural. Por isso, qualquer parceria com o governo brasileiro nesta área e com a Petrobrás só teria sentido se fizesse parte de um acordo mais amplo entre os dois países, na área tecnológica, por exemplo. "Investir em Israel significaria uma reversão de estratégia. Esse tipo de notícia parece uma questão de governo, um acordo bilateral, não necessariamente na área de petróleo e gás natural", afirmou o especialista.

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