Gabriela Biló/ Estadão
Gabriela Biló/ Estadão
Imagem Albert Fishlow
Colunista
Albert Fishlow
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Ou os países assumem um compromisso sustentável em Glasgow ou não haverá progresso sério

Com as reuniões sobre mudanças climáticas prestes a começar em duas semanas, sem a participação de líderes mundiais como Xi Jinping e Vladimir Putin, há uma preocupação justificável com o agravamento das projeções do aquecimento global

Albert Fishlow*, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2021 | 04h00

Hoje, depois de muita preparação, o Estadão inaugura seu novo formato. Isso é o que há de notícia boa. Do outro lado da moeda, estão os temores de uma inflação global mais generalizada à medida que os preços do petróleo e do gás continuam a subir. O Oriente Médio continua sendo um caldeirão, com o Líbano voltando agora à guerra religiosa, Israel avançando para reativar a construção de casas na parte palestina de Jerusalém e nenhum progresso nas negociações nucleares com o Irã. Nem as discussões dos EUA com a China mostram avanço.

Com as reuniões de Glasgow sobre mudanças climáticas prestes a começar em duas semanas, sem a participação de líderes mundiais como Xi Jinping e Vladimir Putin, há uma preocupação justificável com o agravamento das projeções do aquecimento global. Trata-se de um problema cuja solução requer a substituição de carvão, petróleo e gás por fontes de energia renovável como eólica, biomassa (etanol, por exemplo), hidrelétrica e geotérmica. Ao mesmo tempo, a mudança do uso de energia em edifícios, automóveis, caminhões etc pode reduzir muito os insumos necessários.

Para ser bem-sucedida, a reação deve ser universal. Assim como um comércio mais livre pode trazer benefícios para todos, a cooperação global pode induzir ganhos tanto para os que contribuem quanto para os que recebem. Prioridades exageradas com a segurança nacional podem justificar a adoção de barreiras que acabam inibindo a cooperação e subsidiando a produção nacional. Uma globalização mais ampla que inclui um número crescente de unidades políticas independentes é fundamental para alcançar o melhor resultado.

Os países serão capazes de fazê-lo?

O Brasil, onde está localizada grande parte da Amazônia, é central para o resultado. É o maior recurso natural do mundo. A política nacional, e sua efetiva aplicação, influenciarão o destino a longo prazo do Acordo de Paris. Agora, após ciclos de degradação, algo da ordem de um quinto da floresta foi destruído. Uma preocupação em particular tem sido o aumento da exploração ilegal de minério e de madeira, bem como o avanço de pastagens e de plantações de soja.

O regime de Bolsonaro tem expressado a preferência pelo controle nacional, dispensando a participação internacional e de ONGs. Como consequência, Alemanha e Noruega interromperam doações de recursos. Agora, em Glasgow, há a necessidade de um compromisso sustentável. Isso vai acontecer? Ou, mais uma vez, não haverá progresso sério.

* ECONOMISTA E CIENTISTA POLÍTICO, PROFESSOR EMÉRITO NAS UNIVERSIDADES DE COLUMBIA E DA CALIFÓRNIA EM BERKELEY

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.