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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

‘Ou você cria uma competição ou todo leilão vai repetir esse modelo’, diz ex-ANP

Para ex-dirigente da ANP, disputa será sempre interna, para ver quem vai formar o consórcio com a Petrobrás

Entrevista com

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2013 | 03h07

RIO - Para aumentar a concorrência nas próximas licitações, a exigência de a Petrobrás ser operadora única das áreas de petróleo do pré-sal deveria ser a primeira regra alterada do novo marco regulatório, testado ontem pela primeira vez no leilão da área de Libra, segundo o ex-diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) David Zylbersztajn.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

O resultado do leilão foi uma surpresa?

Não surpreendeu o fato de ter um grupo só. O que, de alguma maneira, surpreendeu, foi a entrada da China, Shell e Total no mesmo consórcio. Mas elas não tinham condição de entrar em outro, pelo modelo.

Por que a participação de um só consórcio não surpreende?

Esse modelo não leva à competição. Ou você cria uma situação de competição ou vai ser sempre uma repetição do que aconteceu agora. Você pode ter no máximo cinco (empresas), então a disputa vai ficar internamente, entre quem vai formar o consórcio com a Petrobrás.

Por que o modelo inibe a competição?

A Petrobrás é operadora e tem no mínimo 30%. Não faz sentido você ganhar em outro consórcio e ter de chamar a Petrobrás para conversar, porque as suas contas podem não ser as mesmas. A Petrobrás pode dizer que, com (um lance no leilão de) 70% (de óleo lucro), não tem condições de investir.

O que deveria ser mudado?

Se você tirar o operador único, com participação mínima, independentemente de ser partilha ou não, já aumenta a competição, o que é bom.

O que o leilão de ontem aponta para o futuro do pré-sal?

Libra é um bom laboratório. (No futuro), as circunstâncias serão outras. Vamos saber como a PPSA (estatal criada para representar a União nos contratos) funcionou, se foi mais ou menos intervencionista. Já temos pré-sal em área de concessão (no Campo de Lula, primeiro a ser descoberto), tem esse pré-sal sob partilha (Libra) e temos de ver, daqui a dois anos, o que terá acontecido.

E como fica a Petrobrás?

Ela vai ter que ter mais músculo financeiro. Só de bônus, terá de desembolsar R$ 6 bilhões.

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