Ouro lidera ranking, mas fundos batem inflação

Na corrida dos investimentos, aplicações em Bolsa e dólar ficaram na lanterna; com alta das taxas de juros, caderneta de poupança perde atratividade

Roberta Scrivano, de O Estado de S.Paulo,

29 de abril de 2011 | 19h35

O resultado dos investimentos em abril reforça a tendência de que 2011 é o ano da renda fixa. A única aplicação que superou a modalidade no mês foi o ouro, que oscilou fortemente ontem mas fechou com alta de 1,40% (no ano, porém, o metal já perdeu 3,05%). Levando em conta o desempenho anual das aplicações, a única alternativa que superou a inflação medida pelo IGP-M (2,89%) foram os fundos de renda fixa, com rentabilidade de 2,96%.

Pressão inflacionária é o principal fator apontado por especialistas para esta configuração do ranking dos investimentos neste ano.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi a modalidade que mais sofreu em abril e assumiu a lanterna da listagem, com queda de 3,58%. No ano, a Bovespa já acumula perda de 5,41%. O dólar ficou em penúltimo lugar, com recuo de 3,44%. Desde janeiro, a moeda dos Estados Unidos é a última colocada, com queda de 5,41% na cotação.

"Além das discussões sobre as pressões inflacionárias, dúvidas sobre o corte nos gastos do governo e a confirmação, após aumento de 0,25% ao ano na taxa Selic, de que o Banco Central não elevará os juros como o mercado estimava. Esses fatos levaram a bolsa ao último posto de valorização do mês", comenta Fábio Colombo, administrador de investimentos.

Ao avaliar detalhadamente a bolsa, no entanto, Alexandra Almawi, economista da Lerosa Investimentos, pondera que há setores que são beneficiados com o aumento da inflação. "As teles e as concessionárias, por exemplo, têm o seu produto ajustado de acordo com a inflação o que melhora o desempenho em períodos como este", indica.

As empresas ligadas ao setor de consumo, no entanto, são as que mais sofrem em momento de alta inflacionária, completa a economista.

Poupança. A tradicional caderneta de poupança, com a alta na taxa básica de juros (Selic) perde a atratividade diante de outras modalidades de investimento em renda fixa (como os fundos de renda fixa, CDBs e fundos DI).

Em abril, por exemplo, a poupança rendeu 0,54%. Os CDBs para quem aplica mais de R$ 200 mil subiram 0,74% (segundo lugar no ranking mensal). Os fundos de renda fixa e os DI deram retorno de 0,64% aos investidores.

No ano, o cenário é parecido: CDB para quem investe mais de R$ 100 mil rendeu 2,85%, seguido pelos fundos DI (2,74%) e, depois, a caderneta (2,30%).

"Para quem investe em renda fixa realmente a poupança não está atrativa", reforça Marcelo Moura, professor de finanças do Insper (ex-Ibmec São Paulo). Além dos fundos de investimentos e CDBs, o professor salienta a boa rentabilidade e baixos custos oferecidos pelo Tesouro Direto. "Gasta-se um pouco mais de tempo no Tesouro para escolher o título certo, por exemplo, mas a rentabilidade vale a pena", garante.

Colombo diz que com a atual taxa Selic, a poupança só é interessante para investidores que não têm acesso a fundos DI ou de renda fixa com taxas de administração inferiores a 2,5 a 3,0% ao ano ou 3,5 a 4,0% ao ano respectivamente.

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